- O devaneio excessivo é uma condição em que pessoas passam grande parte do tempo acordadas criando fantasias elaboradas, às vezes por até doze horas diárias e por décadas.
- Estima-se que afete cerca de 2% a 4% da população adulta, segundo pesquisas citadas.
- Pode começar como uma estratégia de sobrevivência emocional, mas, quando dominando a vida, vira transtorno de adaptação com impacto na vida social e ocupacional.
- Não é reconhecido oficialmente por manuais diagnósticos, e ainda não há tratamento único com evidência robusta; psicoterapia dirigida e manejo de gatilhos, atenção e emoções são abordagens em estudo.
- Casos mostram que, com acompanhamento, é possível reduzir a dependência das fantasias: algumas pessoas passam a escrever ou a gerenciar melhor o mundo interno, mantendo a imaginação de forma saudável.
O fenômeno do devaneio excessivo, conhecido como maladaptive daydreaming, alcança grande imersão de quem o experimenta, com fantasias vivas que ocupam horas do dia, por anos. Em casos extremos, a pessoa pode sonhar acordada até 12 horas diárias.
Pesquisadores estimam que entre 2% e 4% da população adulta possa ser afetada. O transtorno costuma trazer sofrimento real, dificultando o funcionamento social, profissional e emocional, apesar do apelo de mundos internos complexos.
O que acontece e quem está envolvido
Relatos de pacientes ajudam a compreender a condição: roteiros internos com narrativas e personagens, criados durante estados de vigília. O médico Colin Ross e a psicóloga Wanda Fischera são citados como referências na área, destacando a natureza viciante e o impacto na vida diária.
A vivência é descrita como uma fuga que, quando descontrolada, passa a dominar o cotidiano. Pesquisadores enfatizam que o devaneio pode iniciar como coping para solidão, traumas ou dificuldades emocionais, mas pode evoluir para um padrão crônico.
Quando, onde e por que surge
Casos documentados incluem pessoas que passam a dedicir grande parte do dia a esses mundos internos. Entre as consequências estão isolamento social e sensação de vergonha, alimentadas pela forte ligação emocional com o conteúdo onírico.
Estudos indicam associações com traços de neurodiversidade, como autismo, TDAH e TOC, além de depressão e ansiedade. A sobreposição não significa equivalência diagnóstica, mas aponta para fatores comuns que merecem atenção clínica.
Tratamento e desdobramentos
Ainda não há reconhecimento formal do devaneio excessivo em manuais diagnósticos amplos, e não existem diretrizes com evidência robusta. Pesquisas iniciais sugerem que psicoterapia focada nos gatilhos, no controle da atenção e na regulação emocional pode ajudar.
Especialistas ressaltam que o objetivo é restaurar a capacidade de escolher entre fantasia e realidade, não eliminar a imaginação. Em candidatos à terapia, estratégias práticas podem incluir ajuste do ambiente e técnicas para reduzir a imersão compulsiva.
Casos ilustrativos e caminhos de adaptação
Kyla Borcherds, moderadora de uma comunidade online sobre o tema, descreve como a relação com o devaneio pode mudar ao longo do tempo. Ela passou a usar a imaginação de forma criativa e, ao mesmo tempo, buscar equilíbrio com a vida real.
Maria, que preferiu manter o nome preservado, contou que os sonhos acordados começaram na infância, quase como um refúgio diante de dificuldades escolares. Hoje busca atividades criativas como maneira de canalizar a imaginação.
A literatura médica aponta que a intervenção pode incluir terapia para tratar gatilhos, melhorar a regulação emocional e promover o distanciamento saudável entre fantasia e realidade.
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