- Fóssil de aproximadamente 100 milhões de anos revela uma nova espécie de percevejo d’água, batizada Carcinonepa libererrantes, preservada em âmbar da região de Kachin, em Myanmar.
- O exemplar apresenta garras grandes nas patas dianteiras, semelhantes a pinças de caranguejos, e estruturas chamadas quelas, raras entre insetos.
- A descoberta foi publicada na revista Insects, após análise com microtomografia e comparação com mais de dois mil casos de garras e estruturas associadas.
- Por causa das características, os pesquisadores criaram o novo gênero Carcinonepa; o nome faz referência a Carcino- (caranguejo) e Nepomorpha, grupo ao qual pertence.
- Os cientistas sugerem que a espécie vivia em uma floresta costeira durante o Cretáceo e que as garras serviam para capturar presas, contribuindo para entender evoluções convergentes entre grupos de animais.
O fóssil de aproximadamente 100 milhões de anos, encontrado em âmbar da região de Kachin, em Myanmar, revela uma espécie ainda desconhecida de percevejo verdadeiro. O exemplar apresenta garras grandes nas patas anteriores, parecidas com pinças de caranguejo, e estruturas chamadas quelas, raras em insetos.
Pesquisadores da LMU (Universidade Ludwig Maximilian de Munique), em colaboração com a Universität Rostock e a Universität Oulu, realizaram microtomografia computadorizada para visualizar 3D todas as estruturas preservadas. A análise comparativa envolveu mais de 2 mil garras e preênseis de várias espécies.
Carcinonepa libererrantes: gênese do nome
Devido à singularidade das garras, os cientistas criaram o novo gênero Carcinonepa, combinação de CARCINO- e NEPA, referência aos Nepomorpha. A escolha do epíteto libererrantes busca relationar a estética das quelas com a pose de um grupo de K-pop.
Significado da descoberta
A morfologia sugere que a espécie tinha hábitos aquáticos de água-rasteira, com semelhanças ao grupo Gelastocoridae, predadores terrestres. A conclusão é de que o inseto vivia em uma floresta costeira do Cretáceo, capturando presas com as garras dianteiras.
Impacto científico
A descoberta amplia o entendimento sobre a evolução de estruturas de preensão em insetos ao longo de milhões de anos. O estudo reforça que obtenções de evidências fósseis podem revelar convergência morfológica entre insetos e crustáceos.
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