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Microrganismos do Mar Morto desenvolvem caudas para enfrentar salinidade extrema

Arqueias do Mar Morto ganham caudas reforçadas para vencer salinidade extrema; dois tipos de arqueelos, camada externa mais rígida e evolução convergente

Microrganismos do Mar Morto desenvolveram caudas reforçadas para sobreviver em salinidade extrema (Imagem: Fala Ciência via ChatGPT)
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  • Estudo publicado na Nature Communications mostra que a arqueia Haloarcula marismortui desenvolveu estruturas locomotoras especializadas para se mover em água com alta salinidade.
  • Foram identificados dois tipos de arqueelos formados por proteínas diferentes, com um filamento apresentando camada externa reforçada.
  • Essa camada externa confere maior rigidez e propulsão mais eficiente em ambientes densos e salinos.
  • A diversidade de tipos de arqueelos pode favorecer a adaptação a variações do ambiente e oferecer proteção contra vírus.
  • O estudo, coordenado por Vladimir A. Meshcheryakov, sugere evolução convergente entre arqueias e bactérias na locomoção e amplia a compreensão sobre os limites da vida e a busca por vida em outros corpos celestes.

Poucos lugares na Terra apresentam condições tão desafiadoras para a vida quanto o Mar Morto. Com salinidade acima de 30% e variações de temperatura, o ambiente é hostil para a maioria dos seres. Ainda assim, algumas formas microscópicas prosperam nessas condições extremas.

Um estudo publicado na Nature Communications mostra que a arqueia Haloarcula marismortui desenvolveu estruturas especializadas para se locomover em águas salinas. A pesquisa aponta que esse organismo ganhou propulsores reforçados para mover-se com eficiência nesse habitat. Entre os achados, destacam-se dois tipos de estruturas locomotoras e uma camada externa reforçada em um dos filamentos.

Estruturas locomotoras em arqueias do Mar Morto

Os cientistas usaram criomicroscopia eletrônica para examinar arqueelos, filamentos que funcionam como motores biológicos. Foram identificados dois tipos, formados por proteínas distintas, com a mesma função básica de impulsionar a célula. Um deles apresentou maior robustez estrutural.

A camada externa mais organizada encontra-se em um dos arqueelos, fortalecendo as ligações entre as proteínas e tornando o filamento mais rígido. Esse ajuste resulta em propulsão mais eficiente em meios densos e com alta salinidade. O segundo tipo mostra maior flexibilidade.

Implicações evolutivas e perspectivas

Os pesquisadores, liderados por Vladimir A. Meshcheryakov, ressaltam uma evolução convergente: arqueias e bactérias desenvolveram estratégias similares de locomoção, ainda que tenham origens distintas. A diferença entre os dois tipos de arqueelo sugere adaptações a condições ambientais variáveis, proporcionando flexibilidade de resposta.

Os resultados ajudam a entender até onde a vida pode adaptar-se a ambientes extremos. Além disso, fornecem dados úteis para a busca de organismos em outros corpos celestes do Sistema Solar, ampliando o escopo da astrobiologia.

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