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Abelhas demonstram habilidades avançadas de resolução de problemas

Estudo na Science aponta que zangões resolvem tarefa inédita sem treinamento, sugerindo intuição e flexibilidade cognitiva em insetos

Uma abelha pousa em uma bola para alcançar uma flor artificial, demonstrando uma avançada capacidade de resolução de problemas
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  • Estudo publicado na quinta-feira (4) na revista Science sugere que os zangões possuem intuição, mostrando que podem resolver uma tarefa nova sem treinamento prévio.
  • Em experimento, abelhas rolaram uma bola de espuma sob uma flor azul artificial e usaram-na como escada para alcançar a recompensa açucarada.
  • Cerca de 75% das abelhas expostas aos cenários com flor e bola conseguiram resolver o enigma, mesmo sem treinamento anterior; grupos que não tinham prévia exposição não obtiveram sucesso.
  • Os resultados indicam que abelhas conseguem lembrar a localização de um objetivo oculto e manipular objetos em relação a ele, sugerindo flexibilidade de comportamento em insetos.
  • Pesquisadores ressaltam que isso não equivale a raciocínio humano, mas aponta que pequenas redes neurais podem apresentar resolução de problemas espontânea e adaptável.

O estudo publicado na Science nesta quinta-feira (4) afirma que abelhas podem ter intuição para resolver problemas. Pesquisadores mostram que zangões, sem treinamento prévio, manipulam objetos para alcançar uma recompensa açucarada. A pesquisa destaca uma diferença em relação a trabalhos históricos com chimpanzés de Köhler e amplia o debate sobre inteligência animal.

Na experiência, abelhas foram testadas em uma arena com uma flor azul artificial que oferecia néctar. Em cenários diferentes, as abelhas tiveram de usar uma bola de espuma para alcançar a flor, deslocando-a ou movendo-a para abrir caminho até a recompensa. O objetivo era demonstrar resolução de problema sem tentativa e erro prévia.

O estudo, conduzido pela Universidade de Oulu, na Finlândia, envolveu Akshaye Bhambore como autor principal. A ideia foi observar se as abelhas conseguem resolver tarefas novas apenas com a percepção do objetivo, sem treinamentos prévios. Os experimentos mostraram que muitas abelhas conseguiram usar a bola como escada para alcançar a flor azul.

A equipe verificou que a habilidade não se tratava apenas de repetições de comportamento. Em condições controladas, grupos expostos apenas a flor ou a elementos novos falharam, reforçando a necessidade de informações prévias sobre a localização do objetivo e a motivação associada à recompensa.

Especialistas externos destacaram que o resultado sugere uma flexibilidade cognitiva em insetos, algo surpreendente dado o pequeno cérebro dessas espécies. Eles ressaltaram que o experimento não implica raciocínio humano, mas aponta capacidade de planejar ações com base em metas e objetos disponíveis no ambiente.

O historiador da psicologia animal, comparando com o clássico experimento de Köhler, afirma que esse novo achado amplia a compreensão sobre como animais resolvem problemas. A pesquisadora Natalie Hempel de Ibarra enfatiza que o estudo pode influenciar a visão sobre como abelhas interagem com flores frente a mudanças ambientais.

A pesquisa também contou com a participação de Olli Loukola, ecologista comportamental da Universidade de Oulu, que explicou que os insetos precisaram combinar informações sobre a localização do objetivo, a natureza da tarefa e a utilidade da bola para resolver o enigma. O time reforçou que a tarefa exige planejamento, memória de locais e uso de objetos para alcançar o alvo.

Os resultados sugerem que abelhas podem aprender e adaptar comportamentos de forma mais flexível do que se supunha, segundo especialistas consultados pela reportagem. De acordo com os autores, a descoberta amplia nossa compreensão sobre inteligência animal e pode ter implicações para o estudo da interação entre polinizadores e ecossistemas em mudança.

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