- O estudo, publicado na Geophysical Research Letters, aponta que gravidade, deformação da crosta e alterações na rotação da Terra podem amplificar a elevação do nível do mar.
- Esse efeito ocorre pela redistribuição de água nos oceanos, que altera a gravidade local e o relevo do fundo oceânico.
- Em algumas regiões, a diferença para 2100 pode chegar a cinco centímetros em relação às projeções que não consideram esses fatores.
- Segundo os autores, essa omissão pode subestimar em cerca de quinze por cento a variabilidade do nível do mar associada aos deslocamentos de massa oceânica.
- As áreas mais sensíveis incluem plataformas continentais amplas, altas latitudes e partes do Sudeste Asiático, segundo uso de modelos CMIP6 com os chamados efeitos GRD (gravidade, rotação e deformação).
O nível do mar pode subir mais do que previsto pelas projeções atuais, devido a efeitos ligados à gravidade, deformação da crosta e pequenas mudanças na rotação da Terra. A leitura é de estudo publicado na Geophysical Research Letters.
Os pesquisadores defendem que, além do derretimento de geleiras e da expansão térmica, há um terceiro componente importante: a redistribuição da massa de água nos oceanos. Esse deslocamento altera a gravidade local e o relevo do fundo oceânico.
De acordo com o estudo, o fenômeno é mediado por efeitos GRD — gravidade, rotação e deformação. Os modelos CMIP6 foram usados para simular até 2100, incluindo esses fatores no cálculo do nível do mar.
Parados em áreas onde a água se acumula, os efeitos GRD elevam o nível do mar, enquanto em regiões profundas o recuo pode ocorrer. Em alguns locais, a variação pode chegar a até cinco centímetros até o fim do século.
Essa diferença, ainda que modesta numérica, pode ampliar alagamentos e ressacas em cidades costeiras vulneráveis, principalmente em plataformas continentais largas e em altas latitudes, como partes do Ártico.
Os autores ressaltam que a exclusão desses processos resulta em subestimação de aproximadamente 15% da variabilidade do nível do mar associada à redistribuição de água. O alerta é sobre planejamento e adaptação costeira.
A pesquisa não aponta uma nova causa para as mudanças climáticas, mas destaca uma lacuna nos modelos atuais. A integração dos GRD pode oferecer estimativas mais precisas de riscos para gestores e governos costeiros.
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