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Manguezais globais se recuperam, sinal de resiliência climática

Manguezais globais se recuperam, invertendo décadas de declínio, fortalecem proteção costeira e armazenamento de carbono, mas permanecem vulneráveis a extremos

Os manguezais estão prosperando em Ouvéa, um atol deslumbrante em forma de crescente nas Ilhas da Lealdade, na Nova Caledônia, no Pacífico Sul.
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  • Manguezais globais estão em recuperação, com crescimento das florestas após décadas de perdas, fortalecendo proteção costeira, biodiversidade e resiliência climática.
  • Estudo publicado na revista Science, que analisou quarenta anos de imagens de satélite, indica que as perdas foram compensadas por regeneração natural e expansão para novas áreas costeiras.
  • Entre as décadas de oitenta e dois mil e dez, o mundo perdeu cerca de 2.900 quilômetros quadrados de manguezais; nos últimos dezesseis anos, ganhos passaram a superar perdas, com a redução líquida acumulada em 2023 em torno de um por cento.
  • As recuperações não são uniformes: regressões e recuperações variam por região, com recolonização em áreas de viveiros de aquicultura abandonados e avanço sobre planícies de lama; no Golfo do México, temperaturas mais altas favoreceram manguezais a migrar para latitudes maiores.
  • Embora haja aumento da densidade de manguezais em muitos locais, alguns estão vulneráveis a eventos climáticos extremos, como o congelamento de 2021 no Texas, e muitos manguezais jovens ainda não apresentam todos os benefícios das florestas maduras.

Durante décadas, manguezais foram fortemente pressionados por aquicultura, agricultura e urbanização. Um estudo recente, publicado na revista Science, aponta que as florestas de mangue do mundo deixaram de declinar e passaram a crescer globalmente, reverberando na proteção costeira e na captura de carbono.

A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade de Tulane, analisou quatro décadas de imagens de satélite. A conclusão é que perdas históricas foram amplamente compensadas pela regeneração natural e pela expansão para novas áreas costeiras, sinalizando uma virada positiva para esse ecossistema.

No Brasil e em outras regiões, a recuperação não é uniforme. Ásia e Oceania mostram manguezais recolonizando áreas de viveiros abandonados e avançando sobre planícies de lama formadas por sedimentos. Na costa do Golfo do México, houve avanço de manguezais para latitudes mais altas após 2012.

Além da expansão, muitas áreas existentes registram maior densidade. Manguezais de dossel fechado surgem com maior proteção costeira e capacidade de armazenar carbono, elevando a estimativa de seu papel climático. Entretanto, a vulnerabilidade a eventos climáticos permanece.

Especialistas destacam que parte do crescimento depende da continuidade de processos naturais, como o suprimento de sedimentos fluviais. Intervenções humanas que reduzem o desmatamento são consideradas cruciais para manter o balanço positivo observado.

A pesquisa ressalta que novos manguezais tendem a ser jovens e ainda não oferecem plenamente os benefícios de ecossistemas maduros. O desmatamento continua representando uma ameaça em diversas regiões costeiras, o que pode frear os ganhos observados.

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