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Privação de água aumenta vulnerabilidade de anfíbios a fungo letal

Isolamento de habitats reduz a microbiota da pele de anfíbios, aumentando a vulnerabilidade ao fungo Bd e o risco de extinções

Sapo-martelo (Boana faber) em área próxima a richo no Parque Estadual da Serra do Mar, em São Luiz do Paraitinga (SP), em novembro de 2024
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  • anfíbios da mata atlântica isolados de rios, lagoas e charcos ficam mais vulneráveis ao fungo letal Bd, que tem dizimado várias espécies.
  • estudo internacional, publicado na revista PNAS, constatou menor diversidade de microrganismos na pele de anfíbios com mobilidade mais restrita.
  • menor riqueza de microbios reduz a proteção contra Bd, permitindo maior multiplicação do fungo.
  • foram analisadas quatro espécies, incluindo sapo-martelo e Rhinella ornata dependentes de água, e Ischnocnema henselii e Haddadus binotatus, que depositam ovos no chão.
  • uma possível saída é o reflorestamento estratégico para reconectar mata e áreas aquáticas, fortalecendo o microbioma e a defesa natural contra o patógeno.

Dois estudos internacionais conectam a fragmentação florestal da mata Atlântica ao aumento da vulnerabilidade de anfíbios frente a um fungo letal. O trabalho analisa como a separação entre habitats de floresta e corpos d’água empobrece a microbiota da pele desses animais, reduzindo a proteção natural contra Batrachochytrium dendrobatidis (Bd).

Conduzido por Daniel Medina, da Universidade da Pensilvânia, e coworkers, o estudo reuniu amostras de pele de quatro espécies da mata Atlântica paulista. Espécies com reprodução ligada a água mostraram maior impacto da fragmentação na diversidade microbiana, abrindo espaço para o Bd se multiplicar.

O trabalho avaliou anfíbios em locais como Cotia, Serra do Japi, Intervales e São Luiz do Paraitinga. Em áreas com maior distância entre floresta e água, a microbiota de pele apresentou menor diversidade, o que reduz a competição entre micróbios benéficos e o fungo.

Entre as espécies estudadas, o sapo-martelo e a Rhinella ornata dependem da água para a reprodução, enquanto Ischnocnema henselii e Haddadus binotatus depositam ovos no solo. A comparação permitiu observar como estilos reprodutivos e conectividade com água influenciam a resiliência microbiana.

Os autores observaram que a menor mobilidade dos anfíbios em habitats isolados está associada a menos contatos com micro-organismos benéficos. Sem esse repertório, o Bd encontra menos obstáculos para se estabelecer na pele e causar infecções.

O estudo também indica que, em áreas com maior isolamento, o potencial de extinção de espécies já é perceptível. Pesquisadores sugerem que o reflorestamento estratégico, que reconecte matas e áreas úmidas, pode devolver vias de dispersão para microrganismos protetores.

O que mudar para conservar

Especialistas destacam a necessidade de intervenções que restabeleçam a conectividade entre floresta e corpos d’água. Medidas como restauração de corredores ecológicos podem ampliar o contato entre anfíbios e microrganismos benéficos, fortalecendo defesas naturais contra Bd.

As evidências justificam políticas de manejo que preservem a diversidade de habitats e reduzam a fragmentação. Além disso, monitoramento de espécies vulneráveis ajuda a identificar populações em risco e orientar ações de conservação.

O estudo publicado na PNAS, liderado por Medina, reforça que conservar a conectividade entre habitats é crucial para manter a microbiota da pele dos anfíbios. A pesquisa evidencia caminhos de intervenção para reduzir perdas em biomas brasileiros.

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