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Professor aos 41 recebe diagnóstico de autismo e reescreve sua história

Diagnóstico tardio de autismo leva professor a reescrever trajetória e defender ensino transparente

Luciano Gonçalves, de 41 anos, é doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo e docente do Instituto Federal do Tocantins desde 2014
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  • Luciano Gonçalves, 41 anos, recebeu diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista e é professor; doutor em Literatura Brasileira pela Universidade de São Paulo e docente do Instituto Federal do Tocantins desde 2014.
  • Após o diagnóstico, ele escreveu o livro Crônicas espectrais, notas sobre o TEA, para contar o processo de descoberta e comunicação com familiares e amigos.
  • Dados preliminares do Censo 2022, divulgados em 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apontam cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA no Brasil.
  • A psicóloga Lara d’Almeida afirma que os sinais de autismo se apresentam de maneiras diferentes na infância, na adolescência e na vida adulta, com camuflagem mais comum na adolescência.
  • Entre os desafios estão o subdiagnóstico em mulheres e a comorbidade entre TEA e TDAH, com estimativas de 50% a 70% de casos que convivem com ambos; a falta de consenso entre profissionais também é destacada.

O diagnóstico tardio de Transtorno do Espectro Autista TEA levou o professor Luciano Gonçalves, 41 anos, a reescrever sua história. A consulta médica veio após dificuldades que se intensificaram com a pandemia, revelando o TEA. O professor é doutor em Literatura Brasileira pela USP e atua no Instituto Federal do Tocantins desde 2014.

Depois de receber o diagnóstico, Luciano escreveu o livro Crônicas espectrais, notas sobre o TEA, para explicar o período de silêncio vivido durante a investigação clínica. O relato personaliza a trajetória de descoberta e reforça a importância da comunicação com familiares e amigos.

Segundo ele, a escrita sempre foi um recurso de socialização e, ao receber a confirmação do TEA, observou a necessidade de tornar o ensino mais transparente. O professor afirma que o aluno passa a entender que está diante de um profissional com características distintas, com limites e potencialidades.

A psicóloga Lara d’Almeida explica que os sinais do autismo variam na infância, adolescência e vida adulta. Ela destaca que a camuflagem aumenta na adolescência e que, na vida adulta, as estratégias compensatórias costumam falhar diante de múltiplas demandas, como trabalho e relacionamentos.

A especialista ressalta ainda obstáculos comuns entre profissionais de saúde mental, como o letramento científico limitado e resistência entre a própria categoria. Esses fatores podem dificultar a confiança e a definição de diagnóstico e tratamento adequados.

Na prática clínica, o TEA e o TDAH são, em muitos casos, condições que persistem ou aparecem com o tempo. Evidências atuais mostram que o TDAH pode permanecer na vida adulta e que o TEA não possui remissão; o que ocorre é o mascaramento de sintomas por estratégias de adaptação.

Entre as questões clínicas recorrentes estão o subdiagnóstico em mulheres, por critérios historicamente baseados em amostras masculinas. A camuflagem feminina frequentemente atrasou diagnósticos, levando a avaliações que associam outros transtornos antes de chegar ao TEA.

Dados do Censo 2022, apresentados pelo IBGE em 2025, apontam cerca de 2,4 milhões de pessoas com TEA no Brasil. A atualização reforça a necessidade de debates e abordagens multidisciplinares voltadas à especificidade de cada paciente.

  • Elementos-chave do diagnóstico e tratamento incluem acesso a informações, avaliação neuropsicológica e um cuidado que reconheça a diversidade do TEA ao longo da vida. A defesa de abordagens multidisciplinares ganha apoio entre profissionais e pesquisadores.

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