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Rede elétrica lenta na Bahia ameaça arara-azul-de-lear, diz projeto

Promotora aponta atraso na adaptação da rede elétrica na Bahia, aumentando risco para a arara-azul-de-lear; Neoenergia afirma ter modificado mais de 6.100 estruturas

Araras-azuis-de-lear na Estação Biológica de Canudos, na Bahia
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  • A adaptação lenta da rede elétrica na Bahia ameaça a arara-azul-de-lear, que vive na caatinga, ampliando o risco de mortes por choque elétrico.
  • A Estação Biológica de Canudos registra 192 indivíduos mortos por choques em linhas de média e baixa tensão nos últimos anos.
  • A Neoenergia afirma ter modificado mais de 6.100 estruturas, com mudanças como padrão de construção, distanciamento entre fases e reposicionamento de isoladores para reduzir mortes.
  • A promotora de Justiça Ambiental de Paulo Afonso, Luciana Khoury, cita prioridade de firmar um TAC com a empresa para definir protocols de adaptação e padrões para novas instalações; próxima reunião deve ocorrer ainda este mês.
  • Especialistas apontam que o problema cresceu desde 2018, mesmo com a expansão populacional da espécie (de 50 para cerca de 2.548 indivíduos), destacando a eletroplessão como principal ameaça.

A adaptação lenta da rede elétrica na Bahia ameaça a arara-azul-de-lear, espécie em perigo que vive na caatinga. Pesquisa mostra que choques elétricos já mataram centenas de aves na Estação Biológica de Canudos, no norte baiano, desde a década passada.

A Fundação Biodiversitas, gestora da estação, registra 192 óbitos por eletrocussão em linhas de média e baixa tensão nos últimos anos. A pesquisadora Erica Pacifico, da Unicamp, aponta que o desmatamento amplia o deslocamento das araras para áreas rurais, elevando o risco de contato com cabos.

A promotora Luciana Khoury, de Paulo Afonso, afirma que o Ministério Público tomou conhecimento do caso em 2020 e avalia um TAC com a Neoenergia para padronizar estruturas e evitar novas mortes. Uma nova reunião deve consolidar o acordo ainda neste mês.

A Neoenergia, responsável pelo fornecimento de energia na Bahia, afirma ter modificado mais de 6.100 estruturas. Entre as ações estão reposicionamento de isoladores, distanciamento entre as fases e padrões para pouso seguro em equipamentos.

Erica Pacifico destaca que soluções simples, como inverter a posição de transformadores, ainda não foram implementadas. A pesquisadora aponta que o problema se intensificou a partir de 2018, com o aumento do desmatamento na região.

A região de Canudos também enfrenta dilemas de saúde pública para as araras. Um surto de circovírus em Curaçá, perto, trouxe risco adicional para aves reintroduzidas pela ACTP e pela Blue Sky. Por ora, não há tratamento conhecido para o microrganismo.

Em Canudos, uma expedição da Folha acompanhou o retorno das aves à vida livre. No dia seguinte, guarda-parques encontraram uma arara morta na rede elétrica, elevando a média de 1 a 3 óbitos mensais. A organização local atua com apoio da Seguros Unimed.

A Estação Biológica de Canudos havia ficado fechada entre 1993 e 2013 para permitir a regeneração das aves. Hoje recebe entre 600 e 800 visitantes por ano, com entradas limitadas, além de cobrança diferenciada para estrangeiros e moradores locais.

A arara-azul-de-lear, conhecida por migrar entre 60 e 200 km, continua sob risco elevado por choque elétrico. A prioridade de proteção permanece na redução de eletrocussões, enquanto autoridades, pesquisadoras e a empresa discutem medidas definitivas.

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