- Pesquisadores instalaram armadilhas fotográficas na Zona de Exclusão de Cchernobyl, no norte da Ucrânia, para avaliar a ocupação animal sem a presença humana.
- O estudo, liderado pela ecologista Svitlana Kudrenko, registrou mais de 30 mil fotos, com 19 mil delas na área de Chernobyl, revelando rica fauna mamífera.
- Animais observados: cervos, raposas, lobos, javalis, ursos-pardos e cavalos-de-przewalski, muitos deles proliferando onde não há atividade humana.
- A Zona de Exclusão, com cerca de 2.600 quilômetros quadrados, apresentou a maior abundância de mamíferos entre as áreas avaliadas no estudo.
- Embora haja dúvidas, a radiação não impediu a colonização; pesquisadores discutem possíveis efeitos genéticos, ainda sem dados consistentes para grandes mamíferos.
A Zona de Exclusão de Chernobyl, no norte da Ucrânia, volta a ocupar as manchetes após um estudo indicar florecimento da vida selvagem no local. A pesquisa examina áreas restritas ao redor da antiga usina, onde a radiação permanece presente, mas a ausência humana tem permitido recolonização de diversas espécies.
A equipe liderada pela ecologista ucraniana Svitlana Kudrenko, da Universidade Albert Ludwig de Freiburg, instalou câmeras em reservas da região. Foram registradas mais de 30 mil imagens, das quais 19 mil capturaram a área de Chernobyl, revelando uma fauna variada de mamíferos.
Elevada ocupação de animais no entorno
Os dados apontam que cervídeos, raposas, lobos, cervídeos e cavalos-de-przewalski passaram a abraçar os habitats da zona de exclusão. A ausência de atividades humanas e maior disponibilidade de alimento são citadas como fatores centrais para esse recolonização.
A pesquisadora afirma que o fenômeno ressalta uma relação entre isolamento humano e prosperidade animal. O estudo compara a região com demais áreas da Ucrânia, destacando a forte concentração de animais na zona imposta pela usina de 1986.
O que resta explicar
Ainda que a radiação seja tema de preocupação, não há consenso sobre efeitos genéticos a longo prazo em grandes mamíferos. Estudos anteriores mostraram impactos em espécies menores, mas a extensão sobre grandes mamíferos requer mais financiamento e logística para investigação.
Kudrenko ressalta a necessidade de dados contínuos para entender mutações, doenças e expectativa de vida em animais que ocupam o local. A pesquisadora ressalta que as conclusões atuais se apoiam em observação contínua de áreas isoladas.
Conclusão provisória
Apesar do histórico trágico, a zona fantasma emerge como um exemplo de resiliência ecológica. A ausência de intervenção humana parece favorecer o estabelecimento de uma fauna diversa, incluindo cavalos selvagens, lobos e alces, em meio a ruínas e estruturas abandonadas.
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