- O biólogo marinho Issah Seidu, da Universidade Kwame Nkrumah, criou a AquaLife Conservancy em Ghana para proteger o guitarrão e ajudar comunidades pesqueiras.
- Ele mostrou que a pesca de guitarrões está em declínio e apontou o cultivo de caracol gigante africano, Achatina achatina, como alternativa sustentável.
- O cultivo de caracóis é lucrativo, com até 10.000 cedis por mês em potencial para os produtores, segundo Seidu.
- Aproximadamente 200 pescadores foram convencidos a parar ou reduzir a captura de guitarrões; 43 deles passaram a trabalhar com o cultivo de caracóis.
- O trabalho de Seidu recebeu reconhecimento internacional: co-presidente do Shark Specialist Group Africa da IUCN em 2025 e o Whitley Award, com a meta de criar a primeira área marinha protegida gerida localmente.
A missão de salvar as guitarras-do-mar em Ghana ganhou um rumo prático: substituir parte da pesca por criação de caracóis gigantes. O bioaquacultor Issah Seidu coordena uma rede de conservação que envolve comunidades pesqueiras ao longo de 335 milhas de costa. A iniciativa mira manter as guitarras fora de risco de extinção enquanto oferece trabalho estável.
Em 2019, Seidu criou a AquaLife Conservancy para monitorar a população de guitarras e reduzir a dependência de redes de pesca. A organização trabalha com três funcionários e voluntários para acompanhar as espécies e disseminar práticas de pesca mais seguras entre as comunidades locais.
Alternativa sustentável
A ideia central é substituir parte da renda da pesca pela criação do caracol gigante africano, Achatina achatina, com dois ciclos de colheita anuais. O motim econômico é claro: o público consome a carne do caracol, e a atividade tende a exigir menor investimento inicial.
Segundo Seidu, a renda de um pescador artesanal fica entre 750 e 1.000 cedis mensais, enquanto a criação de caracóis pode chegar a 10.000 cedis mensais. O cultivo, portanto, oferece outra fonte de proteína que já tem demanda em chop houses e mercados locais.
Ameaça e contexto ambiental aparecem no relato do pesquisador ao longo da costa. O declínio das capturas de guitarras ocorreu em meio a frotas industriais estrangeiras que reduziram o estoque local. Em Ghana, mais de metade das 55 espécies de guitarras está em situação crítica.
A proposta do projeto envolve também o engajamento dos pescadores na observação de capturas e na adoção de práticas de manejo. Inicialmente houve resistência, mas cerca de 200 pescadores passaram a reduzir ou interromper a captura de guitarras, com 43 deles migrando para a criação de caracóis.
O trabalho internacional reconhece a iniciativa. Em 2025, Seidu tornou-se co-presidente do grupo de tubarões da IUCN para a África. Em abril de 2026, recebeu o Whitley Award, entregue pela princesa Anne, em Londres, por ações de conservação.
Especialistas da IUCN destacam que ações locais de monitoramento de capturas e de gestão comunitária podem fortalecer a proteção de espécies cartilagíneas. O objetivo de longo prazo é a criação da primeira área marinha gerida localmente em Ghana.
Para Seidu, a costa de Ghana representa vida, cultura e sobrevivência de milhões de pessoas. A meta é manter o ecossistema saudável ao mesmo tempo em que a população desenvolve meios de subsistência estáveis.
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