- No ASCO de 2026, estudos com cânceres avançados mostraram resultados promissores, incluindo pâncreas metastático e cabeça e pescoço, com ganhos de sobrevida e controle da doença.
- No estudo Rasolute 302, com cerca de 500 pacientes, a terapia oral daraxonrasib elevou a sobrevida média para 13,2 meses, frente a 6,7 meses com tratamento convencional.
- Em OrigAMI-4, o amivantamab administrado por via subcutânea em câncer de cabeça e pescoço não relacionado ao HPV reduziu o tamanho do tumor em 28 pacientes, e 15 alcançaram remissão completa detectável.
- O público-alvo foi formado por pacientes que já haviam passado por imunoterapia e quimioterapia, com doença avançada e opções limitadas.
- Os resultados sugerem maior potencial de terapias personalizadas que combinam terapias-alvo, imunoterapia e bloqueadores de vias específicas para tratar tumores difíceis.
O congresso da Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica (ASCO) de 2026 apresentou resultados promissores que podem alterar o cuidado de pacientes com tumores difíceis de tratar. Novas terapias vêm ampliando opções em cânceres avançados, com ganhos em sobrevida e controle da doença.
Duas linhas de pesquisa destacam-se. Em pâncreas metastático, estudos mostraram benefícios de uma terapia oral direcionada a mutações específicas. Em câncer de cabeça e pescoço avançado, terapias inovadoras combinaram mecanismos de ataque ao tumor com resposta imunológica.
Avanço relevante contra o câncer de pâncreas
Entre os destaques está o estudo Rasolute 302, liderado pelo Dana-Farber Cancer Institute e publicado no New England Journal of Medicine em 2026. A pesquisa avaliou aproximadamente 500 pacientes com câncer pancreático metastático já tratável quimioterapicamente, comparando tratamento convencional com uma nova terapia oral.
O fármaco atua ao bloquear alterações associadas ao gene KRAS, mutations comuns nesse tipo de tumor. Os resultados mostraram: média de sobrevida de 13,2 meses com a nova terapia versus 6,7 meses com o tratamento tradicional, além de maior tempo de controle da doença.
Resposta estimulada pela injeção
O estudo OrigAMI-4, desenvolvido pelo Institute of Cancer Research (ICR), no Reino Unido, avaliou amivantamab em pacientes com câncer de cabeça e pescoço não relacionado ao HPV que já haviam recebido imunoterapia e quimioterapia anteriores. A aplicação ocorreu por via subcutânea.
O mecanismo de ação é multifacetado, bloqueando vias de crescimento tumoral e estimulando a resposta imune. Em 102 pacientes, 28 apresentaram redução significativa do tumor e 15 alcançaram remissão completa detectável por exames.
Muitos respondem em semanas, mesmo em doença avançada e com opções limitadas, o que reforça o potencial dessa abordagem híbrida entre alvo terapêutico e imunoterapia.
Relevância clínica e perspectivas
Os resultados destacam o perfil dos pacientes estudados, que já passaram por terapias convencionais sem sucesso. Em situações de progressão, ganhos de sobrevida ou de controle do tumor representam avanços consideráveis.
As evidências também apontam para uma tendência da oncologia moderna: tratamentos cada vez mais personalizados, baseados em alterações moleculares de cada tumor. O conjunto de dados indica potencial para ampliar tratamentos em vários tipos de câncer.
Caminhos futuros na oncologia
As pesquisas combinam terapias-alvo, imunoterapia e bloqueios de mecanismos específicos do câncer, abrindo possibilidade de novas regras de manejo nos próximos anos. Ainda são necessários estudos adicionais e aprovações regulatórias, com publicações contínuas em periódicos de alto impacto.
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