- Em Lisima, Angola, expedição de fevereiro identificou oito espécies inéditas de libélulas, três novas de gafanhotos e cerca de sessenta mariposas e borboletas potencialmente novas.
- O levantamento faz parte do Atlas da Vida de Cassai, conduzido pelo The Wilderness Project, e ampliou o total de libélulas registradas na região para cento e sessenta e três, com oito espécies ainda sem descrição formal.
- Quatro dezenas de espécies de insetos — incluindo 47 táxons de gafanhotos, grilos, libélulas e donzelinhas — foram registradas, com várias novas para a ciência.
- Entre vertebrados, foram midos 24 espécies de anfíbios e 23 de répteis, incluindo notáveis como víbora-de-gabão, víbora-arbustiva-variável e cobra-de-anchieta; há registros de morcegos em cavernas da região.
- Os cientistas destacam que a área, antes isolada por minas e conflitos, enfrenta riscos com a expansão de estradas, mineração de diamantes, exploração madeireira e agricultura, que afetam a biodiversidade e as nascentes dos rios locais.
Ainda existem lugares no planeta que permanecem desconhecidos pela ciência. No planalto de Lisima, no leste de Angola, expedições revelaram dezenas de espécies inéditas durante pesquisas em fevereiro, em uma região de águas claras e ecossistemas isolados.
O levantamento faz parte do Atlas da Vida de Cassai, conduzido pelo The Wilderness Project. Ele aponta oito libélulas ainda sem descrição científica, três novas espécies de gafanhotos e cerca de 60 mariposas e borboletas potencialmente novas, além de 47 táxons de vertebrados.
Principais descobertas
A expedição registrou 103 espécies de libélulas e donzelinhas, elevando para 163 o total da região. Quatro dezenas de espécies não haviam sido registradas em Lisima, com seis incorporando a lista nacional de Angola. Oito espécies seguem sem descrição formal.
Entre os insetos aquáticos, a contagem de gafanhotos e grilos chegou a 47 táxons, com três novas espécies. Diversos exemplares aguardam análises detalhadas para confirmar a novidade científica.
Mais de mil mariposas e borboletas foram catalogadas, com composição típica da floresta do Congo, dos ecossistemas do Cabo e dos bosques locais. Observou-se variação rápida de espécies em distâncias curtas, sugerindo uma zona de transição ecológica.
Entre as mariposas, estimativas preliminares indicam que até 6% podem ser novas para a ciência. A pesquisa em laboratório ligou 25 espécies a 19 plantas hospedeiras, aumentando o conhecimento das relações ecológicas da região.
Vertebrados e cavernas
Na fauna de vertebrados, foram registrados 47 táxons: 24 anfíbios e 23 répteis. Entre espécies marcantes estão víboras encontradas na região, incluindo a víbora-de-gabão e a víbora-arbustiva-variável, além de cobra-de-anchieta e a rara cobra-de-galho-de-Oates.
Nas cavernas, a equipe identificou morcegos como o morcego-de-folha-redonda de Sundevall e o morcego-ferradura de Rüppell, acompanhados de moscas parasitas associadas aos mamíferos.
Pressões e urgência
A região permaneceu isolada por anos devido a minas terrestres, mas a expansão de estradas e a remoção gradual dessas minas facilitam atividades como mineração, exploração madeireira e agricultura. Esses avanços elevam sedimentos nos rios e fragmentam habitats naturais.
Especialistas ressaltam que compreender a biodiversidade das nascentes de rios é essencial para proteger o ecossistema, garantir água e resistência ecológica, além de sustentar meios de subsistência locais.
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