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Carro elétrico: maior carbono na fabricação e benefício depende de uso maior

Estudo da FGV e Unicamp aponta que a fabricação de carros elétricos emite mais CO₂; SUVs elétricos precisam de até 400 mil km para superar etanol

Fábrica da montadora de carros japonesa Toyota em Sorocaba (SP)
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  • Estudo da FGV e da Unicamp aponta que a fabricação de carros elétricos emite até três vezes mais CO₂e que veículos de combustão, elevando o payback ambiental.
  • Para SUVs, a manufatura de elétrico emite 12,5 mil kg de CO₂e, contra 5.366 kg de um veículo a combustão; nos sedãs, são 16,2 mil kg versus 4.745 kg.
  • O ponto de equilíbrio de emissões (break-even) entre elétrico e alternativa a combustão depende do tipo: cerca de 93 mil km para comparar com flex, 177 mil km com híbrido plug-in e 400 mil km com etanol.
  • O estudo analisou modelos representativos, usando dados de sete montadoras e de fornecedores; mais de noventa por cento das emissões de fabricação vêm da extração e preparo de matérias-primas, e a bateria representa aproximadamente metade da pegada nos elétricos.
  • Carros fabricados no Brasil podem ter pegada de carbono até trinta por cento menor que os fabricados no exterior, devido à maior participação de energia renovável na matriz elétrica brasileira, embora isso varie conforme o modelo.

A pesquisa conjunta da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Unicamp analisa o ciclo de vida de veículos leves fabricados no Brasil, da extração da matéria-prima até a fábrica. O estudo compara quatro tecnologias de propulsão: combustão, híbrido, híbrido plug-in e elétrico.

A avaliação aponta que, na fabricação, carros elétricos apresentam emissões maiores que veículos a combustão. Em média, um SUV a combustão emite 5.366 kg de CO₂e, enquanto o elétrico do mesmo segmento chega a 12,5 mil kg. O cenário é mais acentuado no sedã: 4.745 kg vs 16,2 mil kg de CO₂e.

O levantamento utilizou dados de quem vendeu mais veículos no Brasil em 2023 e contou com informações de sete montadoras. Entre as fabricantes estão GM, Honda, Jaguar Land Rover, Nissan, Stellantis, Toyota e Volkswagen, além de fornecedores como Bosch, Braskem, Gerdau e Usiminas.

Pegada de carbono na fabricação

Os resultados consideram o ciclo completo de produção, incluindo motor, carroceria e componentes. Em todas as categorias, a maior parte da poluição ocorre na extração e processamento de matérias-primas, impulsionada por aço, alumínio e plásticos. Nos elétricos, a bateria é responsável por cerca de metade da pegada.

Em relação ao desempenho ao longo da vida útil, o estudo aponta que veículos movidos a energia renovável reduzem as emissões. O ponto de equilíbrio, ou payback ambiental, varia conforme o modelo e o combustível de referência.

Ponto de equilíbrio ambiental

Para um SUV elétrico, o payback em relação a um flex ocorre por volta de 93 mil quilômetros. Em comparação com um híbrido plug-in, o ponto é próximo de 177 mil km. Já diante de um veículo movido apenas a etanol, a igualdade surge por aproximadamente 400 mil km rodados.

A pesquisadora Juliana Picoli indica que há ganho real ao identificar etapas com maior poluição, o que auxilia políticas de gestão de emissões na fabricação. O estudo também observa que carros fabricados no Brasil podem ter pegada de carbono até 30% menor que modelos importados, devido à maior participação de renováveis na matriz elétrica.

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