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Gênero e CEP redefinem nossa relação mental com a natureza

Pesquisa da USP aponta que bem-estar depende da segurança, biodiversidade e qualidade da infraestrutura verde, com diferenças de gênero e de local na conexão com a natureza

As avaliações não encontraram diferenças significativas na saúde mental entre a população rural e a urbana - Foto: Gezer Amorim/Pexels
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  • Pesquisa da USP, no Instituto de Biociências, aponta que impactos da natureza na saúde mental dependem de segurança, biodiversidade e qualidade da infraestrutura verde, variando conforme gênero e local.
  • Não houve vantagem clara de saúde mental para moradores da zona rural em relação aos urbanos; o estresse urbano por poluição, ruídos e superlotação é destacado.
  • A infraestrutura verde no Brasil é desigual: apenas 13,5% da população vive em ruas com três ou quatro árvores.
  • Entre homens e mulheres, a segurança afeta a conexão com a natureza para ambos; o contato com áreas verdes frequentes é mais relevante para mulheres, enquanto a variedade de ambientes é mais benéfica para homens.
  • As demandas apontadas incluem mais infraestrutura verde de qualidade e maior segurança para os urbanos; para o campo, fortalecimento de espaços verdes com lazer, já que áreas azuis também contribuem para o bem-estar.

A pesquisa realizada pelo Instituto de Biociências (IB) da USP aponta que a relação entre contato com a natureza e bem-estar psicológico depende de segurança, biodiversidade e qualidade da infraestrutura verde. O estudo, que envolveu moradores de áreas urbanas e rurais, também mostra que a sensação de conexão com o meio natural varia conforme gênero e local de moradia.

Karla Vieira Morato, pesquisadora responsável pela tese, retorna a São Paulo para investigar o tema após viver na Bahia. Os resultados indicam que a vida urbana, embora ofereça acesso a saúde e educação, aumenta o estresse por fatores como poluição e ruído. Já a área rural não necessariamente apresenta melhor saúde mental, contrariando expectativas.

A distribuição de infraestrutura verde no Brasil é desigual: apenas 13,5% dos brasileiros vivem em vias com três ou quatro árvores, segundo dados do IBGE. A pesquisa aponta que o que mais importa para o bem-estar são segurança, variedade ecológica e o modo como as pessoas interagem com a natureza.

Resultados e implicações

As avaliações mostraram que o vínculo com a natureza não depende apenas da quantidade de verde, mas da qualidade e da segurança desses espaços. Mulheres tendem a associar o vínculo à proximidade regular com áreas verdes, enquanto homens refletem benefícios com maior diversidade de ambientes.

Entre as demandas, a população rural pediu mais infraestrutura para fortalecer os espaços verdes, evitando que áreas de lazer sejam percebidas como locais de trabalho. Em áreas urbanas, a prioridade foi melhorar a sensação de segurança ao usar espaços verdes.

A pesquisadora ressalta que não houve diferença significativa de saúde mental entre rural e urbano, o que sugere que fatores adicionais, como o uso diário dos espaços, influenciam o bem-estar. Os resultados foram publicados no Journal of Environmental Psychology.

Sobre o estudo

A tese Conexão entre natureza e saúde mental em paisagens urbanas e rurais: determinantes ambientais e sociais está disponível para consulta. O artigo científico que descreve as respostas também foi divulgado recentemente. Mais informações podem ser adquiridas por meio de contato com a pesquisadora.

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