- Vacina contra vírus sincicial respiratório (VSR) foi incorporada ao SUS no final de 2025 e pode ser aplicada a gestantes para proteger recém-nascidos nos primeiros meses de vida.
- Gislaine Lopes tomou a vacina aos 28 semanas de gravidez, após perder a segunda filha, Maitê, em 2023 devido a bronquiolite causada pelo VSR.
- A proteção aos bebês vem da imunidade passiva: anticorpos IgG produzidos pela mãe passam pela placenta e ficam disponíveis ao nascimento, mas são temporários.
- A imunização materna contra o VSR tem eficácia estimada de cerca de 81,8% contra doença respiratória grave nos primeiros 90 dias de vida.
- Ainda há desafios para a cobertura vacinal de gestantes no Brasil, como logística de distribuição, desinformação e falta de orientação no pré-natal.
O que houve: a vacinação de gestantes ganhou relevância com a incorporação da vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR) ao SUS, visando proteger bebês nos primeiros meses de vida. A notícia acompanha o relato de Gislaine Lopes, gestante de Itapevi (SP), que tomou a vacina aos 28 semanas, em janeiro deste ano.
Quem está envolvido: Gislaine Lopes, de 36 anos, mãe de Mariana e gestante de mais um bebê. Profissionais de saúde e especialistas também aparecem ao explicar como a imunidade passiva é transferida da mãe para o bebê e a importância da vacinação materna.
Quando e onde: Gislaine imunizou-se no posto de saúde da cidade de Itapevi, interior de São Paulo, após saber da liberação da vacina para gestantes no fim de 2025. O foco está nos primeiros meses de vida do bebê, período de maior vulnerabilidade.
Por que occurred: a imunização materna reduz casos graves de doenças respiratórias em bebês, principalmente bronquiolite e pneumonia associadas ao VSR. A medida busca antecipar defesa do bebê, já que a imunidade herdada da mãe é temporária e começa antes do calendário de vacinas infantil.
Imunidade materna: como funciona
A transferência de anticorpos ocorre pela placenta, com a IgG atravessando a barreira placentária. Quando a gestante é vacinada, o organismo produz anticorpos que chegam ao bebê em duas a quatro semanas, gerando proteção ao nascer. A proteção é temporária nos primeiros meses de vida.
Durante a gravidez, a concentração de IgG no sangue fetal aumenta gradualmente, atingindo cerca de 50% dos níveis maternos entre 28 e 32 semanas. Por isso, muitas vacinas são recomendadas no terceiro trimestre para alinhar o pico de anticorpos com a transferência placentária.
A janela de proteção pós-nascimento
Após o nascimento, o sistema imune do bebê está imaturo e depende de anticorpos maternos e da amamentação por meses. A proteção materna contra o VSR reduz a probabilidade de quadros graves nos recém-nascidos, especialmente nos primeiros 90 dias de vida.
A vacina para gestantes emerge como estratégia complementar às medidas já existentes, como dTpa, hepatite B, influenza e a covid-19. Estudos indicam alta eficácia na prevenção de doenças respiratórias graves nos primeiros meses de vida.
Desafios e cenário atual
Ainda há gargalos na cobertura vacinal de gestantes no Brasil, com quedas históricas desde 2016 e impactos da pandemia. Questões logísticas, desinformação e acesso desigual dificultam a ampliação da imunização.
A distribuição de vacinas depende do Ministério da Saúde, estados e municípios, o que pode atrasar recebimento em locais remoto. Além disso, fake news alimentam dúvidas sobre segurança, dificultando a adesão sem orientação médica.
O papel do médico e da comunicação
A orientação médica na consulta pré-natal é decisiva para a decisão de vacinar. Profissionais bem informados e campanhas de formação fortalecem a recomendação a gestantes e aumentam a adesão, reduzindo riscos para bebês.
Gislaine reforça a importância da imunização, mesmo diante da dor pela perda da filha Maitê em 2023. Hoje, ao falar sobre a experiência, ela incentiva outras gestantes a buscar a vacinação e compartilhar informações confiáveis.
Considerações finais
Grávidas vacinadas ajudam a proteger o bebê nos meses iniciais, quando o VSR pode causar bronquiolite grave. A imunização materna, aliada a um sistema de saúde eficiente, pode ampliar a proteção desde o nascimento.
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