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Infectologista explica sistema de farmacovigilância aplicado a vacinas

Farmacovigilância investiga 42 reações graves e dois óbitos após a suspensão da vacina do Butantan contra a dengue; diferenças em relação à versão infantil são ressaltadas

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  • O Ministério da Saúde suspendeu, na segunda-feira (8), a aplicação da vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan.
  • A medida ocorreu após o registro de 42 reações adversas graves e dois óbitos em investigação.
  • A infectologista Luana Araújo explicou que os eventos foram classificados como inesperados, não observados durante o desenvolvimento da vacina em aproximadamente 16 mil pessoas.
  • Existe um sistema de farmacovigilância ativo para identificar sinais não vistos nos estudos clínicos, que pode levar a paralisações para investigações adicionais.
  • A vacina do Butantan é diferente da aplicada na rede pública para crianças e adolescentes, que é produzida pela Takeda, em duas doses, e não está relacionada aos eventos em apuração; ambas as vacinas utilizam vírus atenuado com restrições de uso.

O Ministério da Saúde suspendeu, nesta segunda-feira, a aplicação da vacina contra dengue produzida pelo Instituto Butantan. A medida ocorreu após 42 reações adversas graves e dois óbitos em investigação pelas autoridades sanitárias.

A infectologista Luana Araújo explicou ao Live CNN que os eventos foram classificados como inesperados, pois não foram observados durante o desenvolvimento que envolveu cerca de 16 mil voluntários. O Ministério da Saúde destacou esse caráter durante a coletiva de imprensa.

Ela ressaltou que surgimentos de reações não previstas podem ocorrer no processo regulatório, mesmo após a aprovação. Existe um sistema de farmacovigilância ativo, sensível e rigoroso para identificar eventos não vistos nos estudos.

A especialista afirmou que, quando há qualquer possibilidade de relação com a vacina, o monitoramento é intensificado para investigar de forma aprofundada. Esse procedimento busca esclarecer causas e impactos dos eventos registrados.

Farmacovigilância e o papel do monitoramento pós-aprovação

O monitoramento pós-aprovação funciona para detectar sinais não observados nos ensaios clínicos. A ideia é manter a vigilância contínua e comunicar rapidamente novas informações aos profissionais de saúde e ao público.

Segundo a infectologista, a vigilância pode paralisar, temporariamente, atividades de um produto para confirmar dados e evitar dúvidas sobre segurança. O objetivo é proteger a população com base em evidências.

Vacina do Butantan x vacina aplicada na rede pública para crianças

A médica esclareceu que a vacina suspensa é distinta daquela disponível para o público infantojuvenil na rede pública. A vacina destinada a crianças entre 10 e 14 anos é produzida pela Takeda, em duas doses, e não está relacionada aos eventos em investigação.

A vacina do Butantan é de dose única e foi aplicada inicialmente a profissionais de saúde e, em algumas cidades, a um grupo mais amplo. Quem recebeu a vacina da Takeda não tem relação com os casos estudados.

Tecnologia empregada nas vacinas

Ambas as vacinas utilizam vírus atenuado, o que as torna eficazes, mas impõe restrições de uso. Gestantes, imunossuprimidos e ainda em estudo idosos não devem recebê-las.

A diferença principal está nos fabricantes e nas formulações, que são distintas. O princípio básico é ensinar o corpo a se defender sem enfrentar a doença.

A profissional reforçou a importância das vacinas para salvar vidas. Vacinas ajudam a reduzir hospitalizações e preservam a qualidade de vida da população.

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