- O 6º Summit Ambiental do Hospital Moinhos de Vento abriu com Paulo Saldiva, que disse que mudanças climáticas são determinantes para a saúde pública.
- Saldiva, médico patologista da USP, destacou riscos como doenças renais em trabalhadores rurais, transtornos mentais por desastres, ondas de calor e impactos no sistema cardiovascular e respiratório.
- A poluição atmosférica foi classificada como risco grave; estima-se que quinze por cento dos novos casos de câncer de pulmão ocorram em não-fumantes, com assinatura molecular associada à poluição do ar.
- O evento enfatizou a catástrofe no Rio Grande do Sul e o papel da medicina gaúcha no resgate, tratamento de leptospirose e hepatite, além de projetos como Recomeçar, promovido pelo Hospital Moinhos de Vento.
- Saldiva defende a adaptação urbana e hospitalar e a atuação da Saúde como protagonista, com capacitação da Atenção Primária, pesquisas clínicas e gestão verde hospitalar, em diálogo com desigualdades e ilhas de calor; o CEO Mohamed Parrini reforçou a necessidade de adaptação permanente.
O 6º Summit Ambiental do Hospital Moinhos de Vento abriu na manhã desta terça-feira (9), em Porto Alegre. O evento destacou a relação entre mudanças climáticas e saúde, com a conferência magna de Paulo Saldiva sobre “Resiliência ambiental e saúde: quando a adaptação se torna essencial”.
Saldiva, médico patologista da USP, apresentou pesquisas sobre poluição, doenças cardiovasculares, renais e transtornos mentais decorrentes de desastres. Também integra o Comitê de Qualidade do Ar da OMS e trabalha com a Universidade de Harvard. O objetivo é discutir como hospitais podem liderar educação ambiental e políticas públicas.
A programação ressaltou a catástrofe recente no Rio Grande do Sul e o papel da medicina gaúcha no resgate, tratamento de leptospirose e hepatite, além de acolhimento de traumas psiquiátricos. O projeto Recomeçar, do Hospital Moinhos de Vento, foi citado como exemplo de atuação via PROADI-SUS.
Riscos à saúde ligados ao clima
Dados apresentados apontam que ondas de calor elevam a desidratação e inflamação, exigindo mais trabalho cardíaco e aumentando o risco de infartos, especialmente em crianças e idosos. A poluição atmosférica, agravada por deslocamentos urbanos, também é destacada como risco grave para a saúde.
Foi informado que 15% dos novos casos de câncer de pulmão em não-fumantes têm assinatura molecular associada à poluição do ar. O efeito do clima extremo sobre o sistema respiratório e cardiovascular foi enfatizado como fenômeno atual, não mais hipotético.
Medidas propostas e atuação institucional
Saldiva defende adaptação urbana e hospitalar que leve em conta desigualdades sociais e ilhas de calor. A Educação em saúde, por meio da Atenção Primária, deve identificar sinais precoces de doenças agravadas pelo clima. Pesquisas clínicas de hospitais de alta complexidade podem embasar políticas públicas com evidências biológicas.
O setor de Saúde é apontado como protagonista da mudança, com gestão verde hospitalar e promoção de educação ambiental para a comunidade. Parrini, CEO do Hospital Moinhos de Vento, reforçou que as mudanças climáticas já impactam a região e exigem adaptação permanente.
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