- O Ministério da Saúde anunciou, em oito de junho, a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, após identificação de eventos adversos graves.
- A medida vale apenas para o imunizante do Butantan; a vacinação com a Qdenga, fornecida pelo Sistema Único de Saúde, permanece livre para crianças e adolescentes de dez a 14 anos.
- A orientação é ficar atento a sinais de alerta nos primeiros 21 dias após a aplicação da dose.
- A Qdenga usa o vírus da dengue atenuado com um único sorotipo (DEV-2) em vez dos quatro sorotipos usados pelo Butantan, que utiliza vírus completos dos sorotipos um, três e quatro.
- O comitê de farmacovigilância do ministério recomendou a suspensão para ampliar a investigação dos eventos observados e determinar se há relação com a vacina do Butantan.
O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira, 8 de junho, a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão ocorreu após a identificação de eventos adversos graves durante o monitoramento do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Quem recebeu a dose foi orientado a ficar atento a sinais nos primeiros 21 dias após a aplicação.
A suspensão envolve apenas o imunizante do Butantan, que era aplicado em profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto em municípios selecionados. A medida não afeta a vacinação contra a dengue oferecida pelo SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, a Qdenga, desenvolvida pela Takeda.
Diferenças entre as vacinas
A Qdenga recebeu autorização regulatória em março de 2023 e passou a fazer parte do sistema público em dezembro do mesmo ano. A vacina do Butantan tem 15 anos de pesquisa, com fases 1 a 2 realizadas entre 2010 e 2015 e testes de fase 3 envolvendo 16.235 pessoas entre 2 e 59 anos.
A Qdenga utiliza o vírus da dengue atenuado, o que demanda reforço adicional em alguns casos. Já a vacina do Butantan utiliza vírus atenuados dos quatro sorotipos da dengue, o que, segundo especialistas, pode permitir proteção mais ampla sem necessidade de reforço. Ambas visam proteção contra todos os tipos do vírus.
Dentre as diferenças técnicas, a professora Anamélia Lorenzetti, da UnB, aponta que a Qdenga tem menor imunogenicidade e exige segunda dose de reforço, ao passo que a vacina do Butantan não requer reforço e pode alcançar resposta imune mais rápida. Contudo, ambas apresentam boas taxas de eficácia até o momento.
A indicação etária da Qdenga abrange crianças a partir de 4 anos, adolescentes e adultos até 60 anos, independentemente de histórico de dengue. A vacina do Butantan foi avaliada em estudo de fase 3 com 16.235 voluntários, com apenas três eventos adversos graves ocorrendo entre os participantes e todos se recuperando.
Em relação a efeitos colaterais, a Qdenga pode provocar sintomas leves por até três dias após a aplicação, devido ao uso de vírus vivo enfraquecido. A suspensão da vacina do Butantan ocorre para ampliar a investigação sobre os eventos observados e confirmar se estão ligados à vacina ou a condições individuais.
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