- Estudo publicado na Nature Climate Change aponta que inundações costeiras extremas passaram a ocorrer, em média, a cada oito anos, frente a uma vez por século no início do século vinte.
- Em quase metade dos 130 locais analisados, esses eventos já se repetem pelo menos uma vez por década.
- A ação humana tornou esses episódios quatro vezes mais prováveis; causas naturais também ajudaram, mas perderam peso ao longo do tempo.
- Em Manila, a retirada de água subterrânea elevou o nível relativo do mar em cerca de sessenta centímetros, tornando as inundações extremas mais de trezentas vezes mais frequentes.
- Mais de 680 milhões de pessoas vivem em áreas litorâneas baixas; os resultados ajudam a entender o risco atual e a orientar proteção, adaptação e seguros.
Ação humana elevou a frequência de inundações costeiras extremas em várias regiões do mundo. Estudo publicado na Nature Climate Change mostra que eventos antes raros passaram a ocorrer com maior regularidade, inclusive a cada década em quase metade dos locais analisados.
Quando considerados todos os fatores — causas naturais, subida do solo e aquecimento — o aumento é ainda mais expressivo: marés altas que eram previstas a cada 100 anos no início do século 20 ocorrem hoje em média a cada 8 anos, um salto de 12 vezes na frequência. O estudo aponta que 130 marégrafos foram usados para chegar a esse resultado.
Em quase metade dos locais, uma inundação histórica de once mil anuidades passou a acontecer com periodicidade de dez anos ou menos. Expert Sönke Dangendorf, da Tulane University, ressalta que o aquecimento humano aumentou sozinha a probabilidade de esses eventos por quatro vezes.
Diferenças regionais
Em Sandy Hook, Nova Jersey, o evento que ocorria a cada século passou a ocorrer, em média, a cada 16 anos. Em Wellington, Nova Zelândia, o relógio é ainda mais sensível: o mesmo tipo de inundação ocorre hoje próximo de dois episódios por ano. Em Manila, capital das Filipinas, a combinação de extração de água subterrânea e afundamento do solo elevou o nível relativo em cerca de 60 cm, tornando as inundações extremas 300 vezes mais frequentes.
A maioria dos locais analisados aponta que a mudança climática induzida pelo homem é o principal fator de aumento. Em 25 dos 130 pontos estudados, especialmente no norte da Europa, América do Norte e Japão, o efeito do solo em elevação ou subsidência reduziu o impacto, reduzindo a frequência de eventos extremos.
Implicações e alcance
Os autores ressaltam que o risco de inundação costeira já está em transformação, não apenas em projeções futuras. As mudanças impactam planejamento de obras de proteção, adaptação de cidades litorâneas e regras de seguro. A análise pode embasar ações judiciais climáticas e pedidos de reparação por danos.
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