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Ausência de reprodução sexual pode ter atrasado evolução da Terra, aponta estudo

Estudo aponta que reprodução assexuada atrasou a evolução dos primeiros animais, limitando competição; ambiente desafiador favoreceu a reprodução sexuada e ampliou a diversidade

Borboletas (Euchrysops cnejus) copulando — Foto: Anitava Roy via Wikimedia Commons
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  • Estudo liderado pela Universidade de Cambridge, publicado na Nature Ecology & Evolution, aponta que a reprodução assexuada dos primeiros animais atrasou a evolução por milhões de anos.
  • Fósseis de Mistaken Point, Newfoundland, associados ao período Ediacarano (cerca de 635 a 539 milhões de anos atrás), foram usados para entender esse processo.
  • A clonagem era comum e os indivíduos compartilhavam nutrientes por meio de estolões, o que reduzia a competição e desacelerava o aparecimento de novas espécies.
  • A transição para a reprodução sexuada ocorreu quando o ambiente ficou mais desafiador, aumentando a diversidade genética e acelerando a dispersão.
  • Pesquisadores usaram escaneamento a laser, análise espacial e inteligência artificial para modelar cenários e entender como a competição limitada influenciou a evolução, levando à chamada segunda onda ediacarana e à explosão cambriana.

A pesquisa, conduzida pela Universidade de Cambridge, aponta que a reprodução por clonagem entre os primeiros animais da Terra pode ter atrasado a evolução por milhões de anos. O estudo, publicado na Nature Ecology & Evolution, analisa fósseis de Mistaken Point, no Canadá, do período Ediacarano.

Segundo os resultados, a reprodução assexuada predominante criava estolões que conectavam indivíduos, permitindo compartilhamento de recursos e reduzindo a competição. Com isso, havia menos pressão para inovação e surgimento de novas espécies.

A equipe utilizou escaneamento a laser, análise espacial e IA para entender padrões nos fósseis. A coautora Andrea Manica explica que a cooperação entre animais conectados dificultava a divergência evolutiva devido à dispersão limitada.

A pesquisadora enfatiza que a competição entre indivíduos, quando presente, favorece adaptação rápida. No entanto, a clonagem em larga escala diminuiu esse impulso, mantendo ecossistemas estáveis por muito tempo durante o Ediacarano.

A transição para a reprodução sexuada parece ter ocorrido apenas quando o ambiente se tornou mais desafiador. O estresse ambiental ampliou a variabilidade genética e a dispersão, abrindo espaço para a colonização de novas áreas e maior competição.

Essa mudança coincidiria com a chamada segunda onda ediacarana, que aumentou a diversidade de formas de vida. Com o Cambriano, há uma intensificação dessa tendência, culminando na Explosão Cambriana, marcada pela mobilidade animal e grandes saltos evolutivos.

Os autores concluem que a forma de reprodução influenciou o ritmo evolutivo: a clonagem manteve equilíbrio por longos períodos, enquanto as pressões ambientais estimularam a adoção da reprodução sexuada e a diversificação biológica futura.

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