- Dois estudos, publicados em abril nas revistas Science e Science Signaling, revelam que microtúbulos atuam como interruptor molecular no crescimento do coração em resposta ao estresse.
- Quando os microtúbulos estão estáveis, a largura da célula cardíaca aumenta; se desestabilizam, as células alongam.
- Em camundongos e em amostras de coração humano, microtúbulos estáveis fortalecem os discos intercalares, enquanto a desestabilização os enfraquece.
- A via de sinalização ERK funciona como controlador central, enviando materiais de construção para o interior da célula e promovendo o crescimento da largura celular.
- Os pesquisadores apontam a possibilidade de direcionar terapias para corrigir o crescimento cardíaco anormal, com ajustes potenciais em tratamentos já aprovados pela FDA.
O coração reconfigura sua forma sob estresse, engrossando ou afinando as paredes. Dois estudos, publicados em abril nas revistas Science e Science Signaling, desvendaram o mecanismo molecular por trás dessa remodelação.
A pesquisa, conduzida pela Escola de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, identificou que microtúbulos atuam como um interruptor interno das células musculares cardíacas, orientando o crescimento do órgão.
Em testes com camundongos e amostras de coração humano, microtúbulos estáveis aumentaram a largura das células e fortaleceram os discos intercalares, pontos de contato entre as células. Quando desestabilizados, houve alongamento celular.
Os autores destacam que a via de sinalização ERK funciona como controladora central, direcionando a entrega de materiais para o interior da célula e favorecendo o crescimento da largura. Esse caminho não participa do crescimento cardíaco saudável.
A equipe explica que o crescimento de novas células ocorre de dentro para fora, o que aponta para um papel da via ERK na hipertensão e em condições de risco, como a cardiomiopatia hipertrófica. Pesquisas adicionais são previstas para confirmar implicações clínicas.
Segundo o estudo, já existem tratamentos aprovados pela FDA que modulam a estabilidade dos microtúbulos ou a sinalização ERK; no entanto, seria necessária adaptação para aplicações específicas ao músculo cardíaco, visando reduzir efeitos colaterais.
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