- Estudo da Universidade de Colônia, na Alemanha, aponta que o núcleo hiperárido do Atacama já existia há cerca de 45 milhões de anos, na transição do Eoceno para o Cenozóico.
- A conclusão amplia o tempo de aridez anterior, que ficava entre 10 e 20 milhões de anos atrás, segundo o consenso anterior.
- Pesquisadores analisaram 135 amostras de quartzo com datação por nuclídeos cosmogênicos, medindo principalmente o ²¹Ne e, em parte, o ¹⁰Be.
- Os resultados indicam que a paisagem ficou praticamente inalterada por dezenas de milhões de anos, devido a uma chuva muito baixa, inferior a 2 milímetros por ano.
- A pesquisa sugere que elevação da Cordilheira dos Andes e a Corrente de Humboldt contribuíram para ampliar a aridez, mas não para iniciá-la; o Atacama é visto como um dos ambientes mais estáveis da Terra para estudar a adaptação a extremos.
O Deserto do Atacama pode ser ainda mais antigo e extremo do que se pensava. Um estudo da Universidade de Colônia, na Alemanha, aponta que as condições hiperáridas da região central já existiam há cerca de 45 milhões de anos.
A pesquisa, publicada em 20 de maio na Nature Communications, afirma que o Atacama se tornou extremamente seco logo após um resfriamento global que ocorreu após o EECO, o período mais quente da Cenozóica.
Segundo os autores, o novo marco geológico obriga os cientistas a revisitar a formação de ambientes áridos. O núcleo hiperárido do Atacama seria contemporâneo ao Eoceno Médio e Superior, tornando-se uma das regiões secas contínuas mais antigas do planeta.
Para chegar a essa conclusão, a equipe analisou 135 amostras de quartzo por datação de nuclídeos cosmogênicos, um método que mede isótopos produzidos por raios cósmicos na superfície.
Os pesquisadores mediram principalmente o ²¹Ne, com parte das amostras contendo também ¹⁰Be. Os níveis elevados de ²¹Ne indicam que grande parte das rochas permaneceu inalterada na superfície por milhões de anos.
Em termos conceituais, regiões com chuva baixa registram erosão mais lenta, preservando a paisagem. O Atacama, com menos de 2 milímetros de precipitação anual, mostra processos superficiais extremamente lentos, segundo Tibor Dunai, da Universidade de Colônia.
Esses achados questionam parte das explicações tradicionais sobre a origem da aridez. A elevação da Cordilheira dos Andes e a influência da Corrente de Humboldt continuam relevantes, mas possivelmente atuaram para intensificar condições já existentes.
O estudo não descarta esses fatores, apenas sugere que atuaram para ampliar a secura inicial, não para criá-la. O resfriamento global pós EECO é visto como o gatilho principal para a hiperaridez.
Além dos aspectos climáticos, os autores destacam que a aridez evoluiu de forma desigual dentro do deserto. Variações espaciais foram determinantes para o desenvolvimento climático ao longo de milhões de anos.
Os pesquisadores apontam que o Atacama funciona como laboratório natural para entender como a vida se adapta a condições extremas de água ausente. O novo marco temporal amplia o contexto de pesquisa.
A descoberta coloca o Atacama como referência para entender mudanças climáticas, processos geológicos e a interação com a vida nos limites da habitabilidade. Os dados podem orientar estudos sobre adaptação de espécies.
Com o registro estendido a 45 milhões de anos, o estudo oferece base para avaliar como fatores climáticos, geológicos e biológicos se conectam em ambientes extremos.
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