- Revisão sistemática da Unesp, com apoio da Fapesp, analisou oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo sobre a creatina e marcadores inflamatórios.
- Concluiu que, até o momento, não há evidências consistentes de que a creatina reduza marcadores inflamatórios no organismo.
- Em contextos de exercício intenso, alguns estudos com doses altas por cinco dias mostraram queda de PGE2, TNF-α e IL-1β, mas os resultados não são generalizáveis.
- Em grupos como pacientes com osteoartrite ou idosos, não houve redução significativa de marcadores inflamatórios após semanas de suplementação.
- A revisão aponta boa segurança da creatina, orienta buscar acompanhamento profissional e destaca a necessidade de mais ensaios clínicos para confirmar efeitos anti-inflamatórios.
O que aconteceu: uma revisão sistemática com metanálise avaliou se a creatina tem efeito anti-inflamatório. Pesquisadores da Unesp analisaram oito ensaios clínicos randomizados com placebo. O estudo foi publicado em fevereiro na Frontiers in Immunology.
Quem esteve envolvido: a equipe liderada por Vitor Engracia Valenti, da Unesp, com apoio da Fapesp. Foram incluídos diferentes perfis de participantes para verificar impactos sobre marcadores inflamatórios.
Quando e onde ocorreu: a análise reuniu dados de estudos prévios, com publicação consolidada em 2026. A pesquisa foi conduzida no Centro de Estudos de Revisão Sistemática da Unesp, em Marília.
Resultados
Os resultados apontam que as evidências não sustentam um efeito consistente da creatina sobre marcadores inflamatórios. A magnitude da redução de biomarcadores como PCR e IL-6 foi pequena e não estatisticamente significativa na maioria dos contextos.
Por outro lado, alguns trabalhos em atletas submetidos a exercícios intensos apontaram reduções em PGE2, TNF-α e IL-1β após altas doses, sugerindo benefício em cenários específicos de treinamento.
Essa heterogeneidade indica que o impacto da creatina depende do grupo, da intervenção e do tipo de prova física. Em pacientes com osteoartrite e em idosos, não houve reduções relevantes nos inflamatórios.
Segurança
A revisão também avaliou a segurança da creatina. Em curto prazo, com doses elevadas, nenhum efeito adverso relevante foi observado em atletas ou indivíduos saudáveis. O mesmo ocorreu em grupos clínicos, sugerindo boa tolerabilidade quando bem orientada.
Ainda assim, os pesquisadores destacam a necessidade de mais ensaios clínicos randomizados para confirmar os achados. A ausência de evidência não implica ausência de efeito, especialmente em contextos ainda não explorados.
Os autores reforçam que a inflamação durante o exercício pode colaborar para a adaptação muscular. A resposta inflamatória aguda é parte do processo de reparo e remodelação, não apenas um defeito a ser eliminado.
Antes de começar a usar creatina, a orientação profissional é recomendada. Cada pessoa tem necessidades diferentes, e a decisão deve considerar objetivos e saúde geral.
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