- Mulheres têm cerca de duas vezes mais chances de desenvolver transtorno de estresse pós-traumático do que homens.
- Nova pesquisa aponta que a forma como o cérebro registra memórias ligadas ao medo pode explicar parte dessa diferença.
- Em experiments com animais, fêmeas e machos pareciam usar processos diferentes para guardar lembranças de situações assustadoras.
- Os pesquisadores ressaltam que não é questão de fraqueza emocional; há fatores biológicos e também emocionais, sociais e ambientais que influenciam o risco.
- Ainda não há confirmação em humanos; o estudo foi publicado na revista Behavioural Brain Research.
Diante de eventos extremamente assustadores, as marcas podem variar bastante entre as pessoas. Enquanto algumas conseguem seguir em frente, outras vivem lembranças do medo por meses ou anos. A diferença entre esses desfechos é objeto de estudo há décadas, especialmente porque as mulheres parecem ter quase o dobro de chances de desenvolver TEPT.
Agora, uma pesquisa recente aponta que a forma como o cérebro registra memórias associadas ao medo pode explicar parte dessa diferença. Os autores identificaram um mecanismo biológico que atua de modo distinto durante a formação dessas lembranças, abrindo caminho para novas linhas de investigação em trauma, memória e saúde mental.
TEPT: conceito e sinais
O transtorno de estresse pós-traumático pode aparecer após experiências extremamente difíceis, como violência, acidentes graves ou desastres naturais. Nem toda pessoa exposta a trauma desenvolve TEPT, mas quando ocorre, há lembranças intrusivas, pesadelos e sensação constante de perigo.
A ansiedade, irritabilidade, dificuldade para dormir e evitamento de situações relacionadas ao trauma são sinais comumente observados, conforme especialistas. Fatores emocionais, sociais e ambientais influenciam o quadro, além do funcionamento cerebral.
Descoberta experimental e suas implicações
Em estudos com animais, fêmeas e machos parecem empregar caminhos cerebrais diferentes para armazenar memórias de medo. A leitura desses resultados sugere que homens e mulheres podem formar essas lembranças por meio de processos distintos, o que pode explicar a maior prevalência de TEPT entre as mulheres.
Essa leitura não implica fragilidade emocional nas mulheres. Os pesquisadores ressaltam que o TEPT resulta de uma interação complexa entre traumas, histórico de saúde mental, apoio social, genética e hormônios, entre outros fatores.
O que isso pode significar para o futuro
A descoberta não altera, no momento, o tratamento do TEPT. Contudo, pode fundamentar abordagens mais personalizadas, considerando diferenças biológicas entre os sexos. A confirmação em humanos é necessária antes de qualquer aplicação clínica.
O estudo foi publicado na revista Behavioural Brain Research. Pesquisadores ressaltam a possível utilidade de entender as vias de memória do medo para aprimorar intervenções futuras.
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