- Bangladesh é o segundo maior produtor e o principal exportador de juta.
- Pesquisadores liderados por Md Abdul Aziz desenvolveram tinta ambiental a partir de partículas de carbono derivadas de restos de juta.
- A tinta pode reduzir a dependência de ink importada, em um mercado de cerca de $245 milhões por ano, com custo potencial até dez vezes menor.
- O processo envolve pirólise de varas de juta, moagem para partículas submicrométricas e dispersão em solução aquosa; testes indicam desempenho semelhante à tinta negra comercial.
- Há também potencial de uso da juta para grafeno, material avançado, embora a produção em escala ainda apresente desafios.
Bangladesh, maior exportador de juta, vê na sobra agrícola uma solução para importar tinta. Um grupo de pesquisadores, liderado por Md Abdul Aziz, do King Fahd University, desenvolveu tinta ambientalmente amigável a partir de carvão derivado de gravetos de jute. A pesquisa foi publicada em 2022.
A tinta usa partículas de carbono entre 200 e 300 nanômetros, produzidas a partir da queima controlada de gravetos de jute. Em testes, impressão com impressoras a jato de tinta apresentou desempenho similar à tinta preta comercial importada.
O estudo demonstra que a tinta é estável e mantém qualidade ao longo do tempo. O processo utiliza um forno piloto que recicla gases gerados, reduzindo emissões em comparação com métodos convencionais de pirólise.
Contexto: custo e dependência de importações
O mercado de tinta em Bangladesh vale cerca de 30 bilhões de takas por ano, segundo a Printing Industries Association. Aproximadamente 15 mil prensas consomem quase 20 bilhões de takas em tinta importada anualmente.
A indústria de impressão, de embalagens a publicações, depende fortemente de fornecedores estrangeiros, com materiais vindos principalmente da China, Japão, Alemanha e Holanda. A produção local é quase inexistente.
Possíveis impactos econômicos
Segundo Aziz, produzir tinta de gravetos de jute pode reduzir custos em cerca de 10 vezes em relação à importação. O país produz grandes volumes de jute, estimando-se até 9 milhões de fardos por ano, o que gera abundância de matéria-prima.
A pesquisa também aponta possibilidades para o graphene, com jute servindo de base para materiais avançados. Estudos anteriores mostraram caminho para estruturas de carbono de alta pureza, ainda com custos elevados para escala industrial.
Perspectivas futuras e notas técnicas
Autor do estudo, Aziz afirma que Bangladesh tem condições favoráveis para extrair tinta de jute, com qualidade de matéria-prima favorecida pelo processamento local. A equipe segue avaliando viabilidade comercial e escalonamento da produção.
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