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Aquecimento do mar reduz baleias em risco de extinção, aponta estudo

Aquecimento do mar faz falsas-orcas havaianas perderem até 28% da massa em semanas; estudo enfatiza monitoramento e conservação urgentes

As falsas-orcas do Havaí têm uma das menores e mais ameaçadas populações de baleias dos Estados Unidos, onde a perda de mesmo alguns animais pode ter consequências para toda a população
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  • Estudo publicado em 4 de junho aponta que as falsas‑orca havaianas sofrem estresse nutricional devido ao aquecimento do mar, com queda de peso em alguns animais de até 28% em poucas semanas.
  • A pesquisa acompanhou 68 baleias entre 2019 e 2025, aproximadamente metade da população restante da espécie, observando perdas de massa significativas.
  • Em 2020, a população atingiu nível recorde de baixa; a onda de calor marinha reduziu a disponibilidade de presas e a capacidade de manter reservas de energia.
  • Técnicas de drone com fotogrametria geraram 142 registros, convertidos em medições de peso e volume com margem de erro de 3%, para monitorar a saúde da espécie.
  • A competição com pesca por presas de alta energia, como atum‑albacora e dourado, é citada como possível fator adicional de estresse nutricional crônico.

A pesquisa, publicada em 4 de junho na revista Endangered Species Research, aponta que o aquecimento do mar está contribuindo para o estresse nutricional de uma espécie de baleia em risco: as falsas-orcas havaianas (Pseudorca crassidens). O estudo acompanha 68 animais, cerca de metade da população remanescente, entre 2019 e 2025, no Havaí.

Entre os achados, destacam-se quedas rápidas de peso: uma falsa-orca perdeu 227 kg em 10 semanas, equivalente a 28% de sua massa. A queda ocorreu em meio a uma onda de calor marinha que reduziu a disponibilidade de presas de alta energia.

A pesquisa mostra ainda que a população da espécie alcançou um nível historicamente baixo em 2020. Os cientistas ligam esse declínio ao calor oceânico, que afeta reservas de energia e acesso a presas, como peixes de alto valor energético.

Metodologia e dados

Para monitorar as baleias, a equipe utilizou fotogrametria com drones, registrando 142 imagens. Essas imagens foram convertidas em estimativas de peso e volume, com margem de erro de 3%. O trabalho contou com digitalizações 3D da Fundação Okinawa Churashima, no Japão.

Segundo Lars Bejder, da Universidade do Havaí, esse nível de precisão permite identificar quando há dificuldades físicas, orientando ações de conservação. A pesquisa também analisa como a competição com a pesca — por exemplo, de atum-albacora e dourado — pode intensificar o estresse nutricional.

Contexto e impactos

As falsas-orcas possuem uma população distinta, adaptada a ecossistemas costeiros havaianos. A escassez de alimento e o custo energético elevado ajudam a explicar a perda de massa corporal observada. A equipe ressalta que a situação não afeta apenas os animais, mas também o patrimônio cultural da região, ligado aos anciãos e saberes tradicionais.

A taxa de declínio populacional da espécie é estimada em cerca de 3,5% ao ano. O estudo funciona como um primeiro monitoramento da condição física e da massa corporal, visando orientar futuras estratégias de conservação e de identificação de tendências ligadas à saúde da espécie.

Perspectivas

Pesquisadores continuam acompanhando a relação entre calor oceânico, disponibilidade de presas e comportamento das baleias. As próximas etapas incluem ampliar a amostra e analisar impactos de diferentes fontes de alimento na condição física das falsas-orcas.

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