- Estudo publicado na The Lancet Regional Health Americas indica que o aquecimento global torna partes da Califórnia mais propícias à dengue, elevando o risco de transmissão local.
- Cerca de 18,2 milhões de pessoas — around 46% da população californiana — vivem em áreas com condições para circulação local do vírus; esse contingente pode crescer em mais de 4 milhões.
- O mosquito Aedes aegypti está presente na Califórnia desde 2013, e houve transmissão local confirmada pela primeira vez em 2023, em Pasadena.
- Além da dengue, o mesmo mosquito pode transmitir chikungunya e zika, aumentando a preocupação com outras arboviroses.
- Medidas de prevenção, como eliminar criadouros de água parada, usar repelente e manter vigilância, são destacadas, sem sinal de pânico, já que a transmissão local ainda é limitada.
A dengue, doença anteriormente associada a regiões tropicais, passa a preocupar os Estados Unidos. Estudo publicado na The Lancet Regional Health Americas aponta que o aquecimento global torna a Califórnia mais favorável à transmissão do vírus, elevando o risco de transmissão local.
Segundo a pesquisa, cerca de 18,2 milhões de pessoas na Califórnia já vivem em áreas com condições propícias para a circulação do vírus, o que representa quase metade da população do estado. No futuro, esse contingente pode crescer para além de 22 milhões.
O estudo é assinado por pesquisadores da University of California, incluindo a professora Lisa Couper, e ressalta que a dengue é transmitida principalmente pela fêmea do mosquito Aedes aegypti. O vírus circula em quatro sorotipos diferentes na região.
A doença é conhecida como febre quebra-ossos e pode provocar febre alta, dores intensas e fadiga. Casos graves podem evoluir para vômitos, sangramentos e falência de órgãos, especialmente sem tratamento adequado.
Caminho até a Califórnia
O Aedes aegypti foi identificado pela primeira vez na Califórnia em 2013 e, em pouco mais de uma década, se espalhou por muitos condados. Em 2023 ocorreu o marco mais preocupante: uma infecção por dengue de transmissão local confirmada em Pasadena, sem histórico de viagem.
Até o momento, o número de casos autóctones permanece baixo, com cerca de 20 registros. A maioria das infecções ainda está associada a viajantes que retornam de áreas endêmicas, mas especialistas alertam para o aumento do risco local com as mudanças climáticas.
Papel das mudanças climáticas
A pesquisa analisa três fatores para a disseminação: presença provável do mosquito transmissor, fluxo de pessoas vindas de regiões endêmicas e temperaturas adequadas para o ciclo viral dentro do mosquito. Áreas do Vale Central e do sul da Califórnia já apresentam condições de transmissão local.
A explicação está na biologia do vírus: após a picada, o vírus precisa se multiplicar dentro do mosquito até ficar infeccioso. Em temperaturas mais altas, esse processo acelera e aumenta as chances de transmissão.
Prevenção e próximos passos
O estudo indica que o risco de transmissão se expandirá geograficamente e por períodos sazonais conforme o clima muda. A dengue merece atenção de autoridades de saúde para monitoramento e ações de controle do Aedes aegypti.
Medidas de prevenção continuam sendo a principal defesa, incluindo eliminação de água parada, vedação de caixas d’água e uso de repelentes. Pessoas que retornam de áreas endêmicas devem manter proteção por semanas, mesmo sem sintomas.
Especialistas enfatizam que não há motivo imediato para pânico, pois a transmissão local ainda é restrita. O alerta é para acompanhar mudanças no mapa de doenças transmitidas pelo mosquito na região.
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