- Estudo conduzido no Reino Unido, com mais de 4.900 pacientes, pode apontar a causa principal das doenças inflamatórias intestinais.
- Os pesquisadores identificaram respostas autoimunes à interleucina-10, com autoanticorpos neutralizantes anti-IL-10 presentes em cerca de 3,5% dos pacientes.
- No Brasil, internações por DII cresceram mais de 60% em dez anos, o que ressalta o impacto da doença no sistema de saúde.
- A presença desses anticorpos está fortemente ligada à variante genética HLA-DRB1*01:03, associada a formas mais graves da condição.
- Os resultados indicam possibilidade de tratamentos direcionados aos autoanticorpos ou às células que os produzem, além da criação de um exame de sangue para identificar o subgrupo de pacientes.
Mistério de décadas pode ter chegado ao fim. Pesquisadores identificaram uma possível causa principal das doenças inflamatórias intestinais, em estudo envolvendo mais de 4,9 mil pacientes no Reino Unido. A análise foi publicada no New England Journal of Medicine.
Entre os resultados, ficou claro que uma parcela relevante apresenta respostas autoimunes a interleucina-10, protegida por anticorpos neutralizantes. Esses autoanticorpos desencadeiam inflamação descontrolada associada aos fatores genéticos mais fortes da DII.
A pesquisa aponta ainda que cerca de 3,5% dos pacientes com doença de Crohn ou colite ulcerativa apresentaram esses autoanticorpos, apresentando risco elevado. No Reino Unido, o perfil pode equivaler a 15 mil a 20 mil pessoas nessas condições.
Descoberta importante
O estudo envolveu instituições britânicas, incluindo a Universidade de Oxford, a Universidade de Newcastle e o Cambridge University Hospitals NHS Foundation Trust. O achado liga a presença dos anticorpos à variante genética HLA-DRB1*01:03, associada a formas graves da doença.
Os cientistas destacam a possibilidade de desenvolver exames de sangue para identificar esse subgrupo de pacientes. Além disso, apontam caminhos para tratamentos que visem os autoanticorpos ou as células produtoras, com potencial redução do uso prolongado de imunossupressores.
Perspectivas e impactos
Especialistas ressaltam que o avanço pode levar a terapias mais direcionadas e menos dependentes de tratamentos contínuos. Observam que, em adolescentes e jovens, a identificação precoce pode reduzir complicações e internações.
Dados brasileiros indicam aumento de internações por DII nos últimos anos: +60% em dez anos, de aproximadamente 15 mil internações em 2015 para quase 24 mil em 2024. O estudo não cita dados nacionais diretos, mas reforça a importância de entender as diferentes vias da doença.
Considerações finais
A pesquisa reforça que DII é grupo de enfermidades biologicamente distintas, impulsionadas por mecanismos variados. A comunidade científica espera consolidar testes diagnósticos e tratamentos mais precisos para pacientes com o perfil genético e imune identificado.
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