- Especialistas da CAS discutiram a caneta desenvolvida pela pesquisadora Lívia Schiavinato Eberlin, capaz de identificar células cancerígenas durante cirurgias em cerca de 10 segundos.
- O projeto está em teste no Brasil, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, com cerca de 45 procedimentos realizados de um total de 60 previstos até o fim do ano, sem danos aos pacientes.
- A tecnologia promete indicar com precisão onde o câncer termina e o tecido normal começa, o que pode reduzir retrabalhos cirúrgicos e a necessidade de tratamentos adicionais.
- A senadora Eudócia destacou o impacto do câncer na saúde pública e defendeu a incorporação de novas tecnologias para acelerar diagnóstico e tratamento oncológico.
- Para incorporar no SUS, é preciso registro sanitário na Anvisa e comprovação de eficácia, segurança e viabilidade econômica, além de estimar demanda e capacidade do sistema.
O que aconteceu, quem está envolvido, quando, onde e por quê.
Especialistas participaram de uma audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais (CAS) para discutir avanços na luta contra o câncer. O tema central foi a caneta capaz de identificar células cancerígenas em cerca de 10 segundos durante cirurgias. A pesquisadora brasileira Lívia Schiavinato Eberlin é uma das principais desenvolvedoras. O debate ocorreu nesta quinta-feira (11).
A tecnologia é desenvolvida nos Estados Unidos e está sendo testada no Brasil, em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. O projeto envolve várias áreas do hospital e conta com apoio da empresa desenvolvedora e de instituições de pesquisa. A pesquisa está em estágio avançado e prevê 60 casos no total; até agora, 45 procedimentos foram realizados.
Segundo o gerente-médico do Laboratório Clínico de Medicina Diagnóstica do Einstein, o estudo ocorre paralelamente aos métodos tradicionais de validação utilizados pelos patologistas. Os resultados, até o momento, não causaram danos aos pacientes nem aos tecidos avaliados.
A visão de especialistas
A senadora Dra. Eudócia (PSDB-AL), médica, destacou o impacto do câncer na saúde pública e defendeu a incorporação de novas tecnologias para melhorar diagnóstico e tratamento. Ela afirmou que a doença é uma das principais causas de mortalidade e requer inovação constante, dada a rapidez necessária no diagnóstico.
MSPen: caneta que detecta câncer
A pesquisadora Lívia, ligada à Baylor College of Medicine, explicou que o câncer é a segunda principal causa de morte no Brasil, com cerca de 700 mil novos casos por ano. O desfecho depende da precisão cirúrgica, que ainda apresenta desafios.
A caneta em desenvolvimento informa ao cirurgião, em segundos, onde o câncer termina e o tecido normal começa. Assim, há potencial para menos recidivas, menos intervenções adicionais e recuperação mais estável. A tecnologia pode reduzir tratamentos complementares, como radioterapia e quimioterapia.
O médico Michel Jamil Chebel, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, ressaltou o potencial da ferramenta para tornar procedimentos mais ágeis e facilitar o diagnóstico. Lívia acrescentou que a maior precisão pode levar a menor necessidade de retrabalho e de tempo de internação.
Pesquisa no Brasil e próximos passos
Lívia defendeu que o Brasil avance rumo à implementação em larga escala da caneta, o que poderia otimizar o SUS com menos tempo de espera por cirurgias e melhor aproveitamento de leitos. Ela argumentou que a tecnologia está alinhada aos princípios do SUS, como universalidade e equidade.
A Conitec explicou que, antes da incorporação, é necessário o registro sanitário na Anvisa. Com o registro, a Conitec emite uma recomendação e o Ministério da Saúde decide. Entre os requisitos estão evidências de eficácia, segurança e estudos de custo-efetividade.
AConitec também destacou a necessidade de estimar a demanda: quantas canetas seriam necessárias, quantos pacientes seriam beneficiados e a capacidade do sistema de absorção da tecnologia.
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