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Gorilas, após caça ilegal, voltam a confiar em humanos, aponta estudo

Estudo de oito anos em Camarões mostra que gorilas passam a confiar em pesquisadores não ameaçadores, com queda da caça ilegal

Elefantes, leões, ursos polares, gorilas e tigres são espécies-chave criticamente ameaçadas e que fazem parte da lista de animais selvagens que precisam ser fotografados.
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  • Doze gorilas-das-terras-baixas-ocidentais foram acompanhados no Parque Nacional Campo Ma’an, em Camarões, ao longo de oito anos.
  • O estudo verificou mudança no comportamento: de medo e evasão para curiosidade e tolerância em relação a pesquisadores e turistas, com observações somadas de cerca de 582 mil minutos.
  • A aproximação direta começou em 2015, após os pesquisadores anunciarem sua presença por sons considerados não ameaçadores.
  • Os gorilas demonstraram capacidade de distinguir caçadores ilegais de pessoas não ameaçadoras, com habituação ocorrendo ao longo de 91 meses de contato quase diário.
  • A redução da caça na região, estimulada por conscientização e patrulhas, está ligada ao aumento da tolerância, sugerindo benefícios para conservação e ecoturismo, desde que os esforços permaneçam contínuos.

Após anos de caça ilegal, gorilas voltaram a confiar em humanos, segundo estudo desenvolvido em Camarões. A pesquisa acompanhou 12 gorilas-das-terras-baixas-ocidentais no Parque Nacional Campo Ma’an, por oito anos, registrando mudanças no comportamento frente a pessoas.

O estudo descreve a abordagem gradual: iniciou em 2011 com monitoramento indireto; em 2015, pesquisadores passaram a anunciar presença por meio de vocalizações não ameaçadoras, aproximando-se de forma controlada.

Ao longo do período, reações de medo e evasão deram lugar à curiosidade e à aceitação. Os animais passaram a ficar mais tempo próximos aos pesquisadores, com 582 mil minutos de observação acumulados.

Metodologia e principais dados

Os autores destacam que houve distinção entre pessoas ameaçadoras, como caçadores, e não ameaçadoras, como pesquisadores e turistas. O comportamento é visto como aprendível dentro do grupo, principalmente entre jovens.

A habituation foi mais lenta do que em estudos anteriores, levando 91 meses de contato quase diário, frente a 28 a 53 meses em outros grupos de gorilas. A experiência demonstra variação entre populações.

Os pesquisadores também constataram que a redução da caça ilegal coincidiu com maior tolerância dos gorilas. Programas de conscientização local e patrulhas de fiscalização contribuíram para reduzir a pressão humana.

Implicações para conservação e ecoturismo

Além de favorecer a pesquisa, a aproximação controlada pode apoiar ecoturismo responsável e estratégias de conservação. Gorilas ajudam na dispersão de sementes e na regeneração das florestas, influenciando biodiversidade e retenção de carbono.

Os autores destacam que proteger os gorilas traz benefícios para as comunidades locais, com ganhos econômicos possíveis via ecoturismo. A pesquisa reforça a importância de manter ações de proteção contínuas.

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