- Revisão sistemática da Unesp, com oito ensaios clínicos randomizados, não encontrou evidência consistente de que a creatina reduza marcadores inflamatórios no organismo.
- Em osteoartrite e em idosos, não houve redução significativa de marcadores como proteína C reativa, interleucinas e outras citocinas após semanas de suplementação.
- Em atletas submetidos a exercícios de alta intensidade e longa duração, houve relatos de efeito anti-inflamatório em alguns estudos, com queda de PGE₂, TNF-α e IL-1β, especialmente com dose alta (cerca de 20 g/dia por cinco dias).
- No entanto, os benefícios observados nesses cenários não se repetiram de forma consistente entre diferentes grupos, e as reduções foram pequenas ou não estatisticamente significativas para PCR e IL-6.
- Os autores ressaltam a necessidade de mais ensaios clínicos randomizados, controlados por placebo, para confirmar os dados e esclarecer os mecanismos envolvidos, já que a inflamação durante o exercício pode contribuir para a adaptação muscular.
A pesquisa realizada por equipes da Unesp contesta o suposto efeito anti-inflamatório da creatina. A revisão sistemática com meta-análise analisou oito ensaios clínicos randomizados e controlados por placebo. O estudo foi publicado na Frontiers in Immunology em fevereiro e apoiado pela Fapesp, no Centro de Estudos de Revisão Sistemática na Saúde Cardiovascular e Metabólica, em Marília.
A conclusão é de que não há evidências consistentes de que a creatina reduza marcadores inflamatórios no organismo. Pacientes com osteoartrite e idosos não apresentaram quedas relevantes na proteína C reativa, interleucinas e citocinas, mesmo com semanas de suplementação.
Ainda que alguns estudos com atletas submetidos a altas doses de creatina tenham indicado diminuição de marcadores como PGE2, TNF-α e IL-1β, esses resultados não se repetem em outras populações. Exemplos citam provas de endurance com protocolos intensos.
A análise aponta heterogeneidade entre os trabalhos, variando conforme população e intervenção. Em cenários de exercício prolongado, houve relatos de efeito anti-inflamatório, porém sem uniformidade metodológica.
Entre os biomarcadores avaliados, a PCR teve redução média de 0,41 mg/dL e a IL-6 mostrou queda mínima, sem significância estatística ou clínica. Esses números reforçam a falta de evidência de um benefício consistente.
O coordenador do estudo, Vitor Engracia Valenti, afirma que resultados de pesquisas básicas em animais não equivalem a efeitos em humanos. Ele ressalva que a ausência de evidência não elimina a possibilidade de efeito, mas reforça a necessidade de mais ensaios.
A publicação recomenda mais ensaios clínicos randomizados com placebo para confirmar ou refutar os achados. Também destaca que a inflamação aguda induzida pelo exercício faz parte do processo de adaptação muscular.
Contexto e perspectivas
Alguns resultados sugerem que o exercício físico, por si, amplifica respostas adaptativas, o que pode confundirse com efeito da suplementação. A pesquisa reforça que o papel da creatina pode ser limitado a contextos específicos.
Em síntese, não há confirmação de que a creatina reduza inflamação de forma generalizada. A comunidade científica continua avaliando mecanismos e potenciais benefícios em diferentes cenários clínicos.
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