- Em Salonga National Park, pesquisadors trabalham para habituar bonobos selvagens à presença humana, processo que pode levar anos.
- Em 2023, cerca de 60 bonobos foram escolhidos para o estudo diário de acompanhamento, com avanços de terem ficado perto de observadores por duas a três horas.
- O objetivo é permitir que pequenos grupos de visitantes observem os primatas sem causar estresse, fortalecendo conservação e pesquisa científica.
- O programa opera sob protocolos de biossegurança, com distanciamento mínimo de 7 a 10 metros e medidas de saúde para a equipe, diante do risco de fieis zoonoses como Ebola.
- A iniciativa também visa criar oportunidades de turismo sustentável na região, com benefícios para comunidades locais e conservação de longo prazo.
Salonga National Park, na República Democrática do Congo, está no centro de um esforço para habituar bonobos selvagens a presença humana. A iniciativa visa entender comportamento, ecologia e saúde dos primatas, além de viabilizar monitoramento contínuo.
Um grupo de pesquisadores e rastreadores iniciou a tarefa no fim de 2023, acompanhando cerca de 60 bonobos diariamente. O objetivo é que os animais aceitem a presença humana como parte do ambiente, permitindo observação de alimentação, descanso e socialização sem estresse.
O projeto ocorre em meio à atualização de biossegurança frente a um novo surto de Ebola na região leste do país. A autoridades do parque afirmam que protocolos rígidos reduzem riscos de transmissão entre humanos e primatas.
Progresso e metodologia
A equipe acompanha o grupo quase que diariamente, buscando aproximação gradual. Atualmente, os bonobos toleram presença humana em períodos de duas a três horas, com distâncias que podem chegar a dois a três observadores.
A pesquisa combina dados comportamentais com amostras biológicas, como fezes e urina, para genética, patógenos e dieta. Câmeras e monitoramento acústico também ajudam a mapear dinâmicas sociais no parque.
Especialistas destacam que a habituacao facilita monitoramento de saúde, doenças, química social e uso do ambiente, contribuindo para estratégias de conservação de longo prazo.
Riscos à saúde e medidas adotadas
A vigilância sobre doenças zoonóticas permanece alta, com atenção especial à transmissão bidirecional entre humanos e primatas. Medidas incluem triagens periódicas, uso de máscaras durante o rastreio e distanciamento mínimo de 7 a 10 metros dos animais.
Equipes do parque recebem treinamento adicional com especialistas alemães em One Health para fortalecer a biossegurança. A prioridade é manter a integridade dos bonobos sem impedir avanços científicos e turísticos.
Perspectivas locais e econômicas
O projeto busca transformar a percepção do parque entre comunidades locais, associando-o a oportunidades econômicas. A longo prazo, o objetivo é que visitantes vejam bonobos habituados em locais específicos, gerando turismo responsável.
Para os gestores, a habitação de bonobos pode sustentar conservação, pesquisa e benefícios para moradores, mantendo o equilíbrio entre proteção e uso responsável dos recursos.
Entre na conversa da comunidade