- Em 2025, a Terra acumulou calor chegando a 1,37°C acima dos níveis pré‑industriais, impulsionado pela queima de combustíveis fósseis.
- O desequilíbrio energético da Terra atingiu níveis recordes, indicando maior calor retido no sistema climático e dobrando nas últimas décadas.
- Emissões globais de gases de efeito estufa chegaram a 56,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente em 2024, com a queima de fósseis como principal fonte.
- O nível do mar atingiu novo recorde em 2025, com elevação de 23 centímetros desde 1901; 65 dias de ondas de calor marinhas foram registrados em 2025.
- O orçamento de carbono restante a partir de 2026 é de cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂, suficiente para durar cerca de três anos no ritmo atual; sem redução, a temperatura poderá subir até 2100 até aproximadamente 2,8°C.
A Terra mantém calor em ritmo acelerado e o aquecimento global chegou a 1,37°C em 2025, ante níveis pré-industriais. O dado projeta que, mantendo as atuais emissões, o limite de 1,5°C estabelecido pelo Acordo de Paris pode ser ultrapassado em cerca de quatro anos. A informação integra a edição mais recente do relatório Indicadores da Mudança Climática Global.
O estudo é assinado por uma equipe internacional de mais de 70 especialistas de 17 países. Entre os indicadores, destaca-se o “desequilíbrio energético da Terra”, que mede a diferença entre energia recebida do Sol e devolvida ao espaço. Esse índice atingiu patamar recorde, sugerindo maior retenção de calor no sistema climático.
Emissões globais de gases de efeito estufa atingiram 56,8 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024, com a queima de combustíveis fósseis como principal fonte. Pesquisadores destacam que quase todo o aquecimento observado na última década é de origem humana, segundo Samantha Burgess, do Copernicus Climate Change Service.
Mais calor implica impactos: o nível médio dos oceanos atingiu recorde em 2025, com alta de 23 centímetros desde 1901. Mesmo mudanças modestas no nível do mar elevam o risco de enchentes em áreas vulneráveis ao redor do mundo, conforme especialistas.
Além disso, 2025 registrou 65 dias de ondas de calor marinha, número que mais que triplicou desde 1991. June-Yi Lee, da Universidade de Pusan, aponta que episódios afetam biodiversidade, pesca e proteção natural de ecossistemas costeiros.
O orçamento de carbono — quanto ainda pode ser emitido para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C — aponta cerca de 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis a partir de 2026. A taxa atual de emissões sugere consumo em aproximadamente três anos, segundo Matt Palmer, do Met Office.
Os autores ressaltam que, embora o ritmo de crescimento das emissões tenha desacelerado, o acúmulo de gases na atmosfera é alto. O cenário aponta para aquecimento contínuo e mudanças climáticas rápidas, exigindo aceleração das ações globais para reduzir o uso de combustíveis fósseis.
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