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Testes genéticos identificam causas da baixa estatura em crianças

Estudo com participação da FMUSP aponta que o exoma diagnostica a causa da baixa estatura em 33,3% das crianças, favorecendo tratamento precoce

Estudo com participação brasileira pode ajudar a desvendar possíveis problemas de crescimento — Foto: Crescer
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  • Estudo com participação da FMUSP revela que testes genéticos avançados identificam a causa da baixa estatura em até 33,3% das crianças quando é feito o exoma, e em 21,6% com painéis genéticos; métodos antigos deixam apenas 4,7% de rendimento diagnóstico.
  • O exoma, que mapeia as regiões do genoma que produzem proteínas, apresentou o maior rendimento diagnóstico entre os exames avaliados.
  • A presença de características físicas associadas à baixa estatura aumenta as chances de acerto do teste genético, com dismorfismo facial, alterações ósseas, traços sindrômicos e deficiência intelectual elevando a taxa de diagnostico.
  • Mesmo em casos com apenas baixa estatura isolada, o exoma identificou a causa em parte dos pacientes (aproximadamente 15,1%).
  • Genes comuns entre os casos incluem PTPN11, ACAN e FGFR3, ligados ao desenvolvimento ósseo e de cartilagens; os resultados norteiam tratamento e aconselhamento genético, além de embasar diretrizes internacionais.

Um estudo com participação de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) aponta que testes genéticos avançados podem esclarecer as causas da baixa estatura em crianças sem diagnóstico claro. A pesquisa avaliou a eficácia de diferentes abordagens de genômica em 134 estudos publicados nas últimas décadas, envolvendo milhares de pacientes ao redor do mundo.

Os resultados indicam que o método tradicional de analisar um gene por vez tem rendimento diagnóstico baixo, cerca de 4,7%. Em contraste, painéis genéticos, que analisam múltiplos genes simultaneamente, atingem 21,6% de acerto, enquanto o exoma, que cobre todas as regiões que codificam proteínas, alcança 33,3%.

Panorama técnico

Painéis genéticos mostraram desempenho superior entre as opções, com ganhos relevantes para casos com sinais clínicos complexos. O estudo cita que, mesmo na estatura baixa isolada, o exoma conseguiu identificar a causa em 15,1% dos pacientes, ampliando a janela de diagnóstico.

Casos com dismorfismo facial, alterações ósseas ou skeletais, características sindrômicas e deficiência intelectual apresentaram maior probabilidade de diagnóstico pelo exoma, com taxas de 68,2%, 61,1%, 59,6% e 57%, respectivamente.

Genes frequentes e impacto clínico

Entre as mutações mais comuns associadas ao atraso no crescimento estão PTPN11, ACAN e FGFR3, genes que regulam o desenvolvimento ósseo e cartilaginoso. Pesquisadores destacam que os testes genéticos ajudam a orientar tratamentos precoces e mais precisos.

A pesquisa reforça a importância de incorporar testes genéticos avançados na prática clínica, quando cabíveis, para reduzir exames desnecessários e oferecer aconselhamento genético adequado às famílias.

Relevância e diretrizes

Os autores destacam que os dados contribuíram para a formulação de diretrizes e consensos internacionais sobre avaliação de crianças com problemas de crescimento. O trabalho reforça o papel do mapeamento genético na medicina de precisão e na tomada de decisões terapêuticas.

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