- Estudo publicado na Nature indica que parte da predisposição à ansiedade é herdável por meio de muitas variantes genéticas, não de um único gene; a pesquisa envolveu 122.341 pessoas com transtornos de ansiedade e 729.881 controles, de diversos países.
- O transtorno de ansiedade é poligênico, ou seja, o risco resulta da combinação de vários genes, aliado a fatores ambientais e experiências de vida.
- A origem genética explica, em parte, por que a ansiedade pode ser compartilhada entre familiares, mesmo em contextos diferentes.
- Especialistas destacam que o ritmo atual de vida e a hiperconexão favorecem a ansiedade, sugerindo desaceleração voluntária, meditação, regulação emocional e higiene da informação.
- Casos do texto mostram Maria Eugenia Bragante e Marina Bragante de Almeida Silva lidando com TAG, com terapia, medicação e estratégias de cotidiano para reduzir impactos.
Segundo estudo publicado na Nature, parte da predisposição à ansiedade é herdável e compartilhada entre familiares. A pesquisa aponta que não existe um único gene da ansiedade, mas um conjunto de variantes genéticas que, somadas, elevam a probabilidade de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).
Maria Eugenia Bragante, 63 anos, vive em Paris e já foi hospitalizada três vezes com falta de ar. Ela é filha de diplomata e artista plástica, e percebeu há anos que os episódios de ansiedade apareciam em momentos de mudança. Hoje faz terapia semanal e consulta mensal com psiquiatra.
Marina Bragante de Almeida Silva, filha de Maria, foi diagnosticada com TAG há quatro anos. Antes de apresentações, entrevistas ou vestibular, relata irritação extrema. A família ressalta que o assunto ganhou espaço após o diagnóstico da filha, influenciando a percepção da própria saúde mental.
A pesquisa publicada na Nature envolveu 122.341 pessoas com transtornos de ansiedade e 729.881 controles, em um consórcio internacional coordenado pelo Psychiatric Genomics Consortium. Amostras foram coletadas em diversos países para analisar ligações genéticas.
Especialistas explicam que o modo como a ansiedade se manifesta é poligênico: muitas variantes genéticas em combinação with fatores ambientais moldam o risco. O estudo reforça a ideia de hereditariedade, mas não descreve um gene único responsável.
Em paralelo, o tema da hiperconexão é discutido por especialistas. O ritmo de vida atual, com estímulos constantes, é apontado como potencial agravante da ansiedade, que pode se manter mesmo com gestão genética. A prevalência de respostas adaptativas é tema de estudo contínuo.
Para entender o impacto no cotidiano, médicos destacam o papel do ambiente familiar na regulação emocional. A regulação de hábitos diários e a prática de estratégias de desaceleração ajudam a moderar o efeito genético, segundo profissionais da área.
No contexto individual, práticas como meditação, exercícios físicos regulares e higiene da informação são citadas como ferramentas para minimizar a sensação de urgência constante no dia a dia. O objetivo é reduzir o nível de estresse crônico diante das cobranças modernas.
Maria Eugenia destaca que, para prevenir impactos futuros, incentiva os netos a adotar hábitos mais tranquilos, manter hobbies e ler sobre o tema. A psicóloga Rachel Sette reforça a importância de um ambiente doméstico estável como fator de proteção.
A discussão sobre a hereditariedade da ansiedade segue em linha com novas evidências científicas. Mesmo com predisposição genética, as estratégias de manejo e o apoio profissional podem influenciar positivamente o desfecho de cada pessoa.
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