- A Administração Oceanográfica e Atmosférica dos EUA confirmou que o El Niño está estabelecido, com aquecimento gradual das águas do Pacífico e pico esperado entre a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.
- O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais publicou nota técnica alertando para riscos de ondas de calor, seca e excesso de chuva, com impactos em água, alimentação, energia, mobilidade e saúde.
- O Instituto Nacional de Meteorologia aponta que os impactos variam por região: Sul deve ter mais chuvas e risco de enchentes; Norte e parte do Nordeste podem enfrentar seca; Sudeste e Centro-Oeste terão calor e chuvas irregulares; Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná podem enfrentar inundações.
- A previsão climática para o trimestre julho-agosto-setembro indica chuva acima da média no Rio Grande do Sul e temperaturas acima da média em Paraná, Santa Catarina e centro-norte do Rio Grande do Sul.
- A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA aponta 63% de chance de El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, possibilidade de ficar entre os eventos mais intensos já registrados desde 1950; a Organização Meteorológica Mundial também prevê pelo menos moderado.
O El Niño voltou a acender o alerta no Brasil após a confirmação da sua presença pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA. O fenômeno já está estabelecido, segundo a agência, após meses de aquecimento das águas do Pacífico Equatorial. A previsão aponta intensificação no inverno de 2026-2027 no Hemisfério Norte, com pico entre a primavera e o verão no Hemisfério Sul.
Uma nota técnica do Inpe, publicada nesta sexta-feira, ressalta riscos de ondas de calor, secas e chuvas em excesso. Extremos climáticos podem impactar água, alimentos, energia, mobilidade, saúde pública e atividades produtivas em várias regiões do país.
El Niño no Brasil: Sul deve ter mais chuva, Norte pode enfrentar seca
O Inmet alerta que efeitos variam por região, aumentando com a intensidade do fenômeno. No Sul, há tendência de chuvas mais frequentes e risco maior de enchentes. No Norte e parte do Nordeste, a probabilidade é de queda nas precipitações.
No Sudeste e Centro-Oeste, a combinação é de temperaturas acima da média e chuvas com distribuição irregular ao longo da estação. Estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e parte da Bahia são citados entre os mais impactados.
Atenção especial a Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde há possibilidade de chuvas elevadas associadas a eventos extremos, elevando o risco de novas inundações. A previsão para o segundo semestre aponta agravamento da seca em áreas da Amazônia, Caatinga, Cerrado e Pantanal.
Períodos recentes e projeções
A previsão climática para julho a setembro indica chuva acima da média no Rio Grande do Sul, com variabilidade de até 200 mm. As temperaturas médias tendem a ficar acima da média em parte do Paraná, Santa Catarina e centro-norte do Rio Grande do Sul.
Regiões em foco segundo o Inpe
Região Norte: seca prolongada, calor intenso e risco de incêndios. Rios baixos reduzem o fluxo e isolam comunidades ribeirinhas, afetando pesca, agricultura e geração de energia.
Região Nordeste: seca extrema, bloqueios atmosféricos reduzem nuvens, calor intenso e maior risco de queimadas.
Região Centro-Oeste: calor e baixa umidade elevam risco de queimadas; chuva regular no sul da região pode ocorrer, com irregularidade no norte.
Região Sudeste: chuva irregular e ondas de calor, com frentes frias bloqueadas em alguns períodos.
Região Sul: chuvas fortes e inundações associadas a umidade transportada pela Amazônia; inverno mais quente com menos geadas.
Histórico e perspectivas
Estudo recente da UFRGS indica maior probabilidade de cheias na Bacia do Prata durante El Niño. Pesquisadores ressaltam a necessidade de medidas de defesa civil, monitoramento e proteção de vias de passagem de água.
Entre 2023 e 2024, enchentes no Rio Grande do Sul afetaram cerca de 2,4 milhões de pessoas, com centenas de desalojados. No Amazonas, a seca atingiu o nível mais baixo já registrado, isolando comunidades e prejudicando milhares.
Evolução esperada
A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos EUA aponta 63% de chance de El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, potencialmente entre os maiores desde 1950. A OMM também antecipa evento moderado a forte.
O estudo explica que El Niño envolve aquecimento de pelo menos 0,5°C no Pacífico Equatorial e pode alterar padrões climáticos globais, influenciando temperatura média e regimes de chuva. A La Niña é o estágio oposto, com resfriamento das mesmas águas.
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