- A Niantic Spatial treinou um grande modelo geoespacial com cerca de 30 bilhões de imagens, principalmente em ambientes urbanos, usando dados gerados por jogadores de Pokémon Go e pelo app Scaniverse.
- As varreduras eram opcionais e cada usuário gravava vídeos curtos de locais públicos, com metadados de localização e orientação, para apoiar o desenvolvimento do sistema.
- O objetivo é um posicionamento visual que funcione sem GPS, especialmente em interiores ou áreas com interferência de satélite, com testes indicando redução de erro de até 70% e precisão de cerca de 1,5 metro.
- Parcerias anunciadas incluem Coco Robotics, para robôs de entrega, e Vantor (antiga Maxar Intelligence), para combinar dados de terreno 3D com o software da Niantic Spatial, visando drones e veículos terrestres.
- Há debate ético sobre consentimento dos jogadores, já que a empresa diz não usar dados do Pokémon Go diretamente, apenas o modelo treinado com dados dos usuários; líderes e especialistas apontam preocupações sobre uso de dados de jogo para fins militares.
Uma empresa de Inteligência Artificial tem usado bilhões de imagens coletadas por jogadores de Pokémon Go para treinar tecnologias de navegação de robôs, incluindo drones militares, mesmo sem disponibilizar dados dos usuários às aplicações militares. A prática ganhou destaque após a criação da Niantic Spatial, em 2025.
Antes de se tornar uma entidade independente, a Niantic pretendia usar imagens georreferenciadas coletadas de usuários do aplicativo Scaniverse para treinar um grande modelo geoespacial, com o objetivo de mapear o mundo em 3D. A iniciativa envolveu locais urbanos e diversos ângulos de captação.
A Niantic Spatial treinou o modelo com cerca de 30 bilhões de imagens, muitas delas de áreas urbanas onde os jogadores eram incentivados a gravar vídeos curtos. Os metadados associavam localização e orientação dos dispositivos usados na captura.
Mudança de finalidade
Nos planos anunciados, o objetivo era criar um sistema de posicionamento visual capaz de orientar dispositivos sem GPS, por meio da comparação entre imagens e mapas 3D detalhados. A tecnologia seria útil tanto para robôs de entrega quanto para veículos autônomos.
Parcerias passaram a moldar o cenário. Em 2025, a Niantic Spatial firmou acordo com a Coco Robotics para aplicar o modelo de IA na navegação de robôs de entrega de quatro rodas. Em dezembro do mesmo ano, surgiu um acordo com a Vantor, antiga Maxar Intelligence, para desenvolver um sistema útil a drones e veículos terrestres sem GPS.
Sistema integrado e desempenho
Durante a defesa geoespacial realizada em Londres, a empresa afirmou que o sistema integrado reduziu o erro de posicionamento em cerca de 70%, com precisão estimada em até 1,5 m em muitos cenários. A parceria com a Vantor envolve dados de terreno 3D e software de apoio, com foco em operações sem GPS.
A repercussão ganhou destaque pela reportagem de um veículo internacional de imprensa. Especialistas destacaram que o uso de dados de jogadores para fins militares levanta discussões sobre consentimento e ética, mesmo que o conjunto de dados do Pokémon Go não seja usado pela empresa parceira.
Desafios éticos
Questiona-se se o consentimento obtido para um jogo corresponde ao utilizado para programas de uso militar. A empresa ressalta que não há acesso direto aos dados de Pokémon Go pela Vantor, apenas ao modelo treinado com tais dados. Mesmo assim, parte da comunidade de jogadores expressa desconforto com a ideia de contribuir, de forma indireta, para tecnologias militares.
Especialistas apontam que sistemas de posicionamento sem GPS já são empregados em operações reais, como em conflitos onde a interferência de sinais é comum. A discussão envolve, ainda, a percepção de responsabilidade entre usuários e desenvolvedores.
Fontes consultadas indicam que o tema envolve decisões técnicas, éticas e regulatórias, com impactos sobre privacidade, consentimento e uso de inovações. As informações foram veiculadas por MIT Technology Review e Trouw, com traduções para o público geral.
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