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Macacos da Amazônia contraem hepatite B humana em áreas degradadas

Desmatamento eleva contato entre humanos e primatas na Amazônia, associando maior risco de HBV de humanos para macacos e impacto potencial à conservação

Os macacos-prego (Sapajus) estão entre as espécies que testaram positivo para o vírus da hepatite B humana
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  • Estudo internacional indica presença do vírus da hepatite B humana em primatas neotropicais selvagens pela primeira vez, com os vírus dos genótipos A e D.
  • Amostras de sangue e tecido hepático de oitenta e oito primatas de vinte e oito espécies foram coletadas em duas regiões da Amazônia: área com atividade humana e região remota no alto do rio Japurá.
  • Na área impactada, treze por cento dos animais (17 de 49) testaram positivo para HBV; na região remota, nenhum caso foi comprovado.
  • Os pesquisadores encontraram relação entre densidade populacional humana e probabilidade de infecção nos macacos.
  • O estudo, publicado em 3 de abril na EcoHealth, sugere transmissão de humanos para animais (transmissão antroponótica) e aponta a necessidade de vigilância em zonas de convivência entre humanos e vida silvestre.

Dois estudos realizados por pesquisadores da Inglaterra e do Brasil identificaram pela primeira vez a presença do vírus da hepatite B humana (HBV) em primatas neotropicais selvagens na Amazônia. A pesquisa comparou áreas com forte presença humana e regiões remotas, reforçando a relação entre desmatamento, presença humana e transmissão de doenças para a fauna.

Foram analisadas amostras de sangue e tecido hepático de 88 primatas de 28 espécies em duas regiões da Amazônia brasileira. Em áreas degradadas pela atividade humana, 17 de 49 animais apresentou HBV. Em região remota, nenhum caso foi comprovado entre 39 primatas. Os dados indicam transmissão ligada à densidade populacional humana.

Os autores destacam que o HBV encontrando-se nos genótipos A e D, também comuns em populações humanas da área, sugere transmissão de humanos para animais. O estudo aponta que maiores níveis de circulação humana elevam o risco de infecção entre os primatas.

A pesquisa foi publicada em 3 de abril na revista EcoHealth e envolveu equipes da Universidade de Salford, na Inglaterra, e da Universidade Federal do Amazonas, no Brasil. As áreas analisadas ficam nos estados de Rondônia e Mato Grosso, e no alto rio Japurá, no Amazonas.

Especialistas ressaltam que esse fenômeno, conhecido como transmissão antroponótica, pode representar riscos para a conservação da biodiversidade. O estudo ressalta a necessidade de vigilância e de medidas preventivas em zonas de contato entre humanos e vida silvestre.

Entre as hipóteses sobre a via de infecção em macacos, ainda não há conclusão. Os pesquisadores destacam que o HBV é transmitido por contato próximo ou sanguíneo, mas faltam dados sobre a via específica nos primatas. Hechos assim reforçam o caráter relevante da investigação.

A análise também aponta que fatores como caça de subsistência e comércio de animais silvestres podem ampliar o contato entre humanos e primatas. A presença de populações humanas próximas é associada a maior probabilidade de infecção nos animais estudados.

Os autores reforçam a hipótese de que a erosão de habitats, causada pelo desmatamento, aumenta o risco de transmissão de doenças entre espécies. O texto recomenda ampliar a vigilância sanitária ambiental em áreas de convivência entre humanos e fauna silvestre.

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