- Estudo na The Lancet, em 2001, mostrou que cerca de 10% de pacientes que sofrem parada cardíaca voltam à vida com memória profunda, chamada experiência de quase morte (EQM).
- Pesquisa de 2024, com 215 médicos da Universidade da Virgínia, indicou que a principal barreira para aceitar EQMs é o conhecimento, e a maioria quer aprender mais sobre o tema.
- O HEAL Lab, da Universidade Simon Fraser, observa falta de orientações baseadas em evidências sobre psicodélicos e está desenvolvendo guias para uso seguro e terapias associadas; esse marco inspira abordagens semelhantes para EQMs.
- No CMAJ, o artigo “Cinco coisas a saber sobre: Experiências de quase morte” orienta que EQMs não são transtorno mental e podem trazer efeitos positivos na saúde mental, devendo ser validadas pelos profissionais.
- Narrativas extracorpóreas já foram verificadas em alguns casos (AWARE) e, diante disso, recomenda-se aos médicos normalizar o tema, explorar a experiência com abertura e encaminhar a grupos de apoio, visando segurança psicológica e integração do paciente.
Ao longo de décadas, pesquisadores investigam o que pessoas vivenciam ao retornar da morte clínica. Estudos sugerem que relatos de experiências de quase morte, EQMs, podem ocorrer em cerca de 10% dos pacientes com parada cardíaca. A compreensão clínica dessas narrativas tem ganhado espaço, ainda que haja controvérsias.
Pesquisadores enfatizam que EQMs costumam apresentar clareza, continuidade e impacto duradouro na identidade e na visão de mundo dos pacientes. Em universidades norte-americanas, médicos têm mostrado interesse em incorporar o tema aos currículos, reconhecendo a necessidade de embasamento científico.
A partir de pesquisas recentes, surgem guias para profissionais de saúde. A ideia central é tratar EQMs como experiências potencialmente positivas para a saúde mental, desde que haja validação, sem juízo de valor, e encaminhamento adequado a serviços de apoio.
O que dizem os estudos de referência
Um estudo publicado pela Lancet em 2001 apontou que uma parcela de pacientes volta à vida com memórias profundas. Esse dado é citado como base para entender a intensidade das EQMs e a sua persistência ao longo do tempo.
Na Universidade da Virgínia, em 2024, pesquisadores investigaram atitudes de médicos frente às EQMs. A amostra incluiu 215 profissionais, revelando que a principal barreira para a aceitação é o conhecimento insuficiente. A maioria manifestou desejo de aprender mais sobre o tema.
A relação com outras áreas da medicina
Especialistas comparam EQMs a experiências psicodélicas em termos de impacto e compreensão. Guias de saúde pública para uso de substâncias psicoativas têm- se ampliado em universidades, revelando a necessidade de orientações baseadas em evidência para pacientes e profissionais.
O HEAL Lab, da Universidade Simon Fraser, destacou a ausência de diretrizes claras sobre psicodélicos. Em resposta, desenvolveu um guia de baixo risco para uso de psilocibina e trabalha em diretrizes para terapias assistidas no manejo de saúde mental e uso de substâncias.
Verificação de percepções e aplicações clínicas
Pesquisas descrevem que EQMs envolvem a sensação de retorno a um lugar seguro, com dissolução do ego e experiências temporais não lineares. A Escala de EQM de Greyson é citada como ferramenta de avaliação da intensidade desses aspectos.
Casos de percepções extracorpóreas verificáveis aparecem em literatura especializada, incluindo compilações como The Self Does Not Die. Estudos de veracidade buscam métodos para confirmar relatos, ainda que reconheçam limitações metodológicas.
Como a prática médica pode responder
Profissionais são incentivados a manter abertura, sem julgamentos, quando pacientes relatam EQMs. A abordagem sugerida envolve validação, exploração cuidadosa e encaminhamentos para suporte psicológico e grupos de apoio.
Especialistas ressaltam a importância de uma aliança terapêutica sólida para facilitar o cuidado contínuo e, ao mesmo tempo, sustentar a pesquisa científica sobre o tema.
Entre na conversa da comunidade