- Um novo teste mede envelhecimento biológico e “tempo até a morte” usando padrões de atividade gênica, com base em dados de mais de quatro mil pessoas e de estudos em animais.
- Em reportagem sobre o reality show, Khloé Kardashian, aos trinta e nove anos, teve idade biológica de vinte e oito anos segundo o teste, gerando repercussão na mídia.
- A metodologia foi desenvolvida por Vadim Gladyshev, da Escola de Medicina da Universidade de Harvard, e afirma ter sensibilidade maior que abordagens anteriores, como o relógio de Horvath baseado em epigenética.
- Atualmente, o teste é para fins de pesquisa; futuras versões de uso público poderiam acelerar comprovação de tratamentos anti-idade e informar políticas públicas, conforme avanço científico.
- Estudos citados apontam que crenças sobre envelhecimento podem influenciar a saúde e a longevidade, com impactos em riscos de doenças cardíacas, memória e mortalidade, especialmente em visões negativas.
O anúncio de um novo teste de biologia do envelhecimento ganhou atenção após aparecer na divulgação da quinta temporada do programa The Kardashians. O teste usa amostra de sangue para estimar a idade biológica e indicar o tempo provável até a morte. O episódio mostrou Khloé Kardashian, com 39 anos, recebendo uma idade biológica estimada de 28 anos.
A metodologia, desenvolvida por Vadim Gladyshev, da Harvard Medical School, baseia-se em padrões de atividade gênica. A abordagem utiliza dados coletados de milhares de pessoas, além de comparações com modelos em roedores. A equipe afirma que o método é mais sensível do que as técnicas anteriores baseadas em epigenética.
O conceito de relógios moleculares para estimar a idade biológica não é novo, mas o estudo em questão busca aprimorar a precisão ao combinar diferentes marcadores. O objetivo é oferecer uma métrica mais estável para acompanhar efeitos de tratamentos antiaging e possíveis políticas públicas relacionadas ao envelhecimento.
A discussão sobre o uso comercial desse tipo de teste envolve limitações. Especialistas destacam que estimativas não determinam o dia exato da morte nem asseguram determinados problemas de saúde. Os resultados refletem probabilidades com base em perfis moleculares semelhantes em bancos de dados.
Implicações e críticas
A pesquisadora Becca Levy, de Yale, associou expectativas negativas sobre o envelhecimento a maiores riscos de saúde, incluindo problemas cardíacos e perda de memória, em estudos observacionais. Pesquisas semelhantes sugerem que crenças sobre a idade podem impactar comportamentos e resultados de saúde ao longo do tempo.
Outra pesquisa, realizada com 660 pessoas com mais de 50 anos em Oxford, Ohio, indicou que visões negativas sobre o envelhecimento estavam relacionadas a uma diferença de aproximadamente sete anos e meio na expectativa de vida, ao longo de mais de duas décadas de acompanhamento.
Os autores sugerem que crenças sobre envelhecimento podem ter efeitos biológicos indiretos, influenciando fatores como estresse, hormônios e o funcionamento do sistema imune. A ideia é que atitudes em relação à idade possam, ao longo do tempo, moldar o próprio processo de envelhecimento.
O artigo de imprensa destaca que o teste, ainda em estágio de pesquisa, pode reduzir a duração de ensaios clínicos para avaliar tratamentos antiaging e influenciar futuras regras de políticas públicas. Contudo, o tema permanece sujeito a debate científico e ético sobre acessibilidade e uso responsável.
Helen Pilcher, autora e colunista de ciência, comenta que, para quem não depende de modas ou de celebridades, a escolha de fazer ou não o teste continua pessoal. Ela ressalta que resultados não são garantias e que a percepção sobre envelhecimento pode alterar comportamentos de saúde.
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