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Pesquisa genética pode impulsionar medicina preventiva em larga escala

Reconhecimento internacional aponta que a genômica brasileira pode viabilizar medicina preventiva em larga escala, reduzindo custos e ampliando o acesso pelo SUS

A genética médica pode tornar realidade o tratamento personalizado de doenças // Janiecbros/Getty Images
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  • Em abril, estudo brasileiro ganhou reconhecimento internacional com duas publicações na The Lancet Regional Health – Americas sobre o Programa Genomas Brasil, relacionados ao Mapa Genoma Brasil e ao Atlas Tumoral da População Brasileira.
  • O principal resultado do Mapa Genoma Brasil aponta que um em cada dez pacientes oncológicos tem mutações genéticas hereditárias, o que permite terapias mais precisas e rastreamo precoce de familiares, reduzindo custos com tratamentos de alto custo.
  • O Atlas Tumoral é um banco de DNA com dados de cerca de 17 mil pacientes de todas as regiões, ligados a prontuários de mais de cinquenta instituições, fortalecendo a pesquisa com dados nacionais e levando em consideração a miscigenação brasileira.
  • A iniciativa pode diminuir gastos com câncer em estágios avançados no Sistema Único de Saúde, ao indicar prevenção e tratamentos mais rápidos e menos invasivos, potencialmente reduzindo a necessidade de cirurgias e quimioterapias tradicionais.
  • Desafios incluem treinar médicos em genômica, incorporar exames no cotidiano do SUS e transformar resultados de pesquisa em políticas públicas e portarias de incorporação tecnológica.

Em abril deste ano, a ciência médica brasileira ganhou reconhecimento internacional com duas publicações da Lancet Regional Health – Americas relacionadas ao Programa Genomas Brasil. Os resultados do subprojeto de oncologia do Mapa Genoma Brasil e o Atlas Tumoral da População Brasileira apontam para a medicina de precisão como ferramenta de medicina preventiva em larga escala.

O Mapa Genoma Brasil revelou que, em 10 pacientes oncológicos brasileiros, 1 carrega mutações genéticas hereditárias. O estudo facilita a personalização de terapias e indica o rastreio de familiares, potencializando prevenção e reduzindo desperdícios com tratamentos caros.

O Atlas Tumoral da População Brasileira reúne dados de DNA de cerca de 17 mil pacientes de todas as regiões, cruzados com prontuários de mais de 50 instituições. A iniciativa busca reduzir a dependência de dados estrangeiros e considerar a miscigenação brasileira.

Hospitais do SUS coletam sangue e dados clínicos, enquanto laboratórios nacionais sequenciam o DNA para identificar variantes relevantes. O projeto também impulsiona a indústria brasileira de biotecnologia e de bioinformática.

A genômica aplicada ao câncer, cardiovascular e doenças raras amplia a capacidade de diagnóstico precoce e de terapias individualizadas. A perspectiva é ampliar a prevenção antes de o tratamento se tornar urgente.

Desafios e próximos passos

A formação de médicos capazes de integrar genômica, IA e cuidado humano é apontada como requisito essencial. A incorporação rotineira de exames genéticos nos hospitais públicos é outra meta crucial.

A continuidade do Programa Genomas Brasil depende de financiamento híbrido entre Estado, institutos e iniciativa privada via PROADI-SUS. A parceria busca transformar tecnologia de ponta em ferramenta de equidade social.

O objetivo é levar portarias de incorporação tecnológica da ponta do sistema de saúde, com padrões de qualidade semelhantes aos de pesquisas internacionais, mantendo a neutralidade e o foco na melhoria do cuidado.

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