- Estudo conjunto da Universidade de São Paulo, Universidade Monash e Universidade Deakin avaliou 2.192 adultos australianos, com idades entre 40 e 70 anos, sem diagnóstico de demência.
- Em média, 41% das calorias vieram de ultraprocessados, alinhado à média nacional australiana de 42%.
- A pesquisa mostrou que um aumento de 10% no consumo de ultraprocessados está ligado a queda mensurável na concentração e a um processamento mental mais lento, mesmo entre quem tem dieta saudável.
- A cada aumento de 10% no consumo, houve redução de 0,05 ponto nos testes de atenção e aumento de 0,24 ponto no risco de demência; não houve associação com memória.
- Os autores apontam que fatores de risco como obesidade e hipertensão podem estar relacionados ao consumo elevado de ultraprocessados e defendem considerar o grau de processamento dos alimentos em diretrizes alimentares.
O consumo de ultraprocessados pode prejudicar a atenção, mesmo entre quem tem uma dieta considerada saudável. Em pesquisa conduzida no Brasil, Austrália e com colaboração internacional, pesquisadores avaliaram impactos cognitivos desse grupo de alimentos.
O estudo envolveu 2.192 adultos australianos, com idades entre 40 e 70 anos, que responderam a questionários alimentares e realizaram testes de atenção e velocidade de processamento. Os participantes não tinham diagnóstico de demência no início.
Em média, os voluntários obtinham cerca de 41% de suas calorias de ultraprocessados, nível próximo à média australiana de 42%. Os dados mostram efeitos relevantes mesmo para indivíduos com dietas de boa qualidade.
Impacto na atenção
Os resultados indicam que o consumo elevado de ultraprocessados está associado a dificuldades de concentração e processamento mental mais lento. Esse padrão apareceu mesmo entre pessoas que seguiam dietas reconhecidas por seus benefícios, como a mediterrânea.
Além disso, o estudo aponta que o excesso de ultraprocessados eleva fatores de risco para demência, como obesidade e hipertensão, novamente entre quem adotava alimentação saudável.
Metodologia e dados detalhados
Para cada aumento de 10% na ingestão de ultraprocessados, houve queda mensurável de 0,05 ponto nos testes de atenção e aumento de 0,24 ponto no indicador de risco de demência. A associação se fortalece conforme o consumo aumenta.
Os pesquisadores observaram que não houve relação significativa entre ultraprocessados e memória, mas a redução de atenção envolve funções cognitivas centrais para aprendizagem, resolução de problemas e tomada de decisões.
Conclusões práticas
O estudo reforça que os impactos da alimentação na cognição vão além de métricas tradicionais de qualidade dietética. Os autores destacam a importância de incorporar o grau de processamento dos alimentos às diretrizes nutricionais.
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