- Estudo com 50 pessoas com histórico de depressão testou prucaloprida (2 mg) versus placebo por 7 a 10 dias para avaliar cognição.
- Prucaloprida é um laxante que atua no receptor de serotonina 5-HT4R, presente no intestino e no cérebro.
- Quem recebeu o laxante teve melhor desempenho em testes de memória e funções executivas, com maior precisão e respostas mais rápidas.
- Não houve efeitos colaterais significativos registrados durante o estudo.
- Pesquisa liderada por Angharad de Cates, da Universidade de Birmingham, em parceria com a Universidade de Oxford; publicada na revista Psychological Medicine.
Um medicamento amplamente utilizado para constipação crônica mostrou potencial para melhorar a memória em pessoas com histórico de depressão. O composto atua no receptor de serotonina 5-HT4 no cérebro, não apenas no intestino, abrindo uma nova linha de pesquisa sobre tratamento cognitivo na névoa mental associada à depressão.
A pesquisa foi publicada no Psychological Medicine e conduzida por Angharad de Cates, da Universidade de Birmingham, em conjunto com pesquisadores da Universidade de Oxford. O estudo explorou se a prucaloprida poderia mitigar déficits cognitivos observados em pacientes com depressão.
Em um ensaio com 50 participantes, adultos entre 18 e 40 anos, já com histórico de ao menos dois episódios depressivos, foram randomizados para receber 2 mg de prucaloprida ou placebo por 7 a 10 dias. Testes cognitivos mediram memória, execução e cognição emocional antes e após o tratamento.
Os resultados indicaram maior precisão e velocidade nas tarefas de memória e funções executivas entre quem recebeu o laxante, sem efeitos colaterais significativos relevantes. A pesquisa sugere que a modulação do receptor 5-HT4 pode melhorar aspectos da função cognitiva em depressão.
Implicações e próximos passos
Especialistas destacam que a névoa mental é um aspecto importante, porém frequentemente subestimado, da depressão. A equipe ressalta a necessidade de mais estudos para confirmar benefícios, confirmar segurança a longo prazo e avaliar impactos em diferentes faixas etárias.
Os autores enfatizam ainda que o estudo não substitui tratamentos existentes, mas pode indicar uma combinação terapêutica promissora para pacientes com dificuldades cognitivas associadas à doença. Pesquisadores de Oxford destacam o interesse em novas vias farmacológicas para a recuperação cognitiva.
Participantes e metodologia
A seleção incluiu apenas indivíduos sem medicação antidepressiva no período do estudo. A intervenção teve duração de poucos dias, com avaliações cognitivas padronizadas logo antes e depois do recebimento do medicamento. As provas incluíram tarefas de memória verbal, memória de trabalho e funções executivas.
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