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Superbactérias resistentes em pescados e frutos do mar aumentam sem alarde

Pesquisa revela superbactérias resistentes em ostras brasileiras, destacando falhas da vigilância sanitária e riscos à cadeia do pescado

Uma pessoa se serve em um prato de frutos do mar com ostras e ouriço
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  • Em agosto de 2025, estudo da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo identificou Citrobacter telavivensis em ostras frescas no Brasil, título de prioridade crítica pela OMS; amostras vieram de São Paulo e Santa Catarina, e nenhuma foi reprovada na inspeção sanitária vigente.
  • A resistência antimicrobiana é reconhecida pela OMS como grande ameaça global; o relatório GLASS de 2025 aponta que uma em cada seis infecções bacterianas entre 2018 e 2023 já era resistente a antibióticos.
  • Ostras, por filtrarem água, acumulam microrganismos; o estudo também encontrou Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli resistentes a antibióticos de última geração, com 35% das amostras apresentando arsênio acima do limite permitido pela Anvisa.
  • O fenômeno de co-seleção envolve arsênio e resíduos de antibióticos na água, que favorecem bactérias resistentes e tornam o ambiente de cultivo uma estufa de resistência.
  • Falta de monitoramento da resistência antimicrobiana em pescado nos sistemas brasileiros; há necessidade de atualizar protocolos, ampliar vigilância, rastreabilidade e financiar pesquisas de alternativas anti-biofilme para reduzir a resistência.

Em agosto de 2025, pesquisadores da USP e do Instituto de Pesca de São Paulo identificaram a bacteriá Citrobacter telavivensis pela primeira vez em alimentos no Brasil. O estudo constata que a bactéria é de prioridade crítica em resistência a antibióticos, segundo a OMS, e foi encontrada em ostras frescas compradas em mercados de São Paulo e Santa Catarina. Nenhuma amostra falhou em testes sanitários vigentes.

A presença de superbactérias em alimentos acende alerta sobre resistência antimicrobiana, considerada uma das maiores ameaças globais pela OMS. Dados do relatório GLASS, de 2025, indicam que uma em cada seis infecções bacterianas já apresentava resistência entre 2018 e 2023. A expectativa global é de agravamento sem ações efetivas.

O estudo brasileiro também confirmou a presença de cepas de Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli com resistência a antibióticos de última geração nas ostras, além de 35% das amostras com arsênio acima do permitido pela Anvisa. Observou-se o fenômeno da co-seleção, em que arsênio e resíduos de antibióticos favorecem bactérias resistentes a ambos.

Falhas na vigilância e lacunas nos padrões

Os protocolos de processamento no Brasil — HACCP, APPCC e Boas Práticas de Fabricação — avaliam temperatura e higiene, mas não o perfil de resistência antimicrobiana. Assim, lotes com bactérias resistentes podem receber liberação para consumo mesmo com contagens totais dentro da norma.

Além disso, bactérias como Staphylococcus aureus resistente à meticilina podem colonizar equipamentos de plantas de processamento. Nessas condições, o biofilme forma escudo que aumenta resistência a antibióticos e sanitizantes. Pesquisas indicam vias promissoras de combate ao biofilme, ainda em estágio experimental.

Caminhos recomendados e impactos

Especialistas defendem incluir pescado nas ações de vigilância de resistência antimicrobiana, ampliar testes de resistência e atualizar a rastreabilidade de origem. O financiamento para pesquisas de alternativas biotecnológicas, como enzimas anti-biofilme, também é apontado como necessário para acompanhar a evolução bacteriana.

A evolução da resistência ameaça não apenas a saúde pública, mas também a exportação de pescado brasileiro. Mercados como União Europeia e EUA demandam controles rigorosos de resistência antimicrobiana, o que pode impactar a competitividade do setor pesqueiro.

A reportagem cita o envolvimento de pesquisadores da UFRJ na linha de estudo sobre biofilmes e resistência bacteriana. A avaliação completa dos impactos sanitários, regulatórios e econômicos segue em curso.

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