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Espécies invasoras chegam à Amazônia e desafio é evitar disseminação

Javali, leucena e braquiária ameaçam a Amazônia; prevenção e detecção precoce são centrais para evitar danos a habitats, lavouras e economia local

Imagem colorida de um javali - Metrópoles
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  • Espécies exóticas invasoras já foram registradas na Amazônia Legal, com 141 espécies listadas (82 animais e 59 plantas) pela rede INCT-SinBiAm, baseada em dados científicos e consultas públicas.
  • Javali e javaporco, nativos de outras regiões, causam destruição de lavouras, predam animais e prejudicam a vegetação, sendo alvo de atenção para a Amazônia Legal.
  • Leucena pode parecer útil em restauração e manejo, mas cresce rápido, produz muitas sementes e compete com espécies nativas, dificultando a regeneração natural.
  • Urochloa arrecta, braquiária d’água, atinge ambientes aquáticos, formando massas que reduzem a biodiversidade e podem se espalhar por áreas alteradas como pastagens e margens de rios.
  • Prevenção é mais eficiente que a defesa: custos globais de invasões superam US$ 423 bilhões por ano; no Brasil, estimativas apontam pelo menos US$ 105,53 bilhões entre 1984 e 2019, reforçando a necessidade de detecção precoce e ações integradas entre pesquisa, gestão e sociedade.

A Amazônia enfrenta ameaças tradicionais como desmatamento e mudanças climáticas, mas há um desafio menos discutido: a introdução de espécies exóticas invasoras. Essas espécies podem parecer inofensivas inicialmente, mas, ao escaparem do controle, formam populações viáveis e se espalham para ambientes naturais e produtivos.

Um guia do INCT SinBiAm, produzido com dados de pesquisadores e instituições ligadas à região, reúne informações sobre espécies invasoras registradas na Amazônia Legal. A publicação traz uma lista baseada em estudos científicos e consultas públicas, com foco na detecção precoce e na resposta rápida.

A iniciativa destaca a importância de ações integradas entre pesquisa, gestão e sociedade para prevenir novos ingres­sos, detectar rapidamente ocorrências e conter a disseminação. O objetivo é reduzir custos e impactos a lavouras, ecossistemas e comunidades locais.

Guarda‑Chuva de dados sobre invasoras na Amazônia

O guia consolida 141 espécies exóticas invasoras para a Amazônia Legal: 82 animais e 59 plantas. Essas informações derivam de uma lista publicada por Zenni et al. em 2024, além de consultas públicas promovidas pelo INCT-SinBiAm.

Especificamente, o documento enfatiza que conhecer as espécies é essencial, mas não suficiente. As políticas precisam prever prevenção, detecção rápida, ações de contenção e articulação entre pesquisadores, gestores e sociedade.

Javalis, javaporcos e impactos diretos

O javali Sus scrofa, de origem europeia, e seus híbridos conhecidos como javaporco, são citados como invasores relevantes para a Amazônia. Destruição de lavouras, predação de animais nativos e de criações, além de interferência na regeneração da vegetação, compõem seus impactos. A detecção precoce é crucial para manejo eficaz.

Leucena e riscos para a vegetação

A leucena Leucaena leucocephala, nativa da América Central, é usada em sistemas agropecuários e restauração, mas pode se tornar invasiva. A espécie cresce rapidamente, produz muitas sementes e pode dominar áreas abertas, prejudicando a regeneração natural.

Braquiárias aquáticas e mudanças ambientais

Urochloa arrecta, também chamada braquiária d’água, é nativa da África e ocupa áreas úmidas, reservatórios e rios. Em ambientes alterados, como margens de pastagens e estradas, forma densas massas que reduzem a biodiversidade local. Estudos no Pará indicaram dispersão principalmente em áreas de uso humano.

Prevenção como estratégia principal

A lógica é simples: prevenir é mais barato que reparar. Detecção precoce aumenta as chances de erradicação ou controle, especialmente para invasoras já introduzidas. Políticas públicas devem incluir listas de espécies prioritárias, avaliação de risco, fiscalização de transporte, protocolos de detecção e bancos de dados atualizados.

Desafios da Amazônia e colaboração entre redes

Na região, a prevenção precisa dialogar com povos indígenas, comunidades tradicionais, unidades de conservação e setores produtivos. O INCT SinBiAm uniu redes como a Rede AmOr, PPBio Amazônia, CAPACREAM e outras para mapear ocorrências, validar registros e orientar ações de educação ambiental.

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