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Inteligência artificial na pesquisa: ferramenta ou risco para a ciência

Nature afirma que IA não substitui pesquisador; na USP, governança e acesso qualificado a plataformas visam manter ética, segurança e qualidade científica

Thiago Carita Correra – Foto: Arquivo pessoal
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  • A revista Nature publicou um editorial afirmando que, apesar dos avanços da IA na busca por fármacos, a participação humana é essencial no processo científico.
  • A IA é apresentada como ferramenta poderosa, capaz de processar grandes volumes de dados e sugerir hipóteses, mas não pode substituir a capacidade humana de formular perguntas e orientar a pesquisa.
  • Na USP, grupos como GPGAIA, CIAAM e a Cátedra IA Responsável promovem debates sobre governança, riscos éticos e responsabilidade no uso da IA.
  • O desafio prático apontado é o acesso a plataformas de IA de terceiros, que nem sempre disponibilizam clareza sobre dados usados e podem expor informações sensíveis.
  • A solução defendida é o acesso qualificado a plataformas com políticas de uso e proteção de dados claras, com orientação mínima, para que toda a comunidade utilize bem as ferramentas sem perder a essência da ciência.

A edição de 21 de maio de 2026 da revista Nature traz um editorial sobre o papel da inteligência artificial na ciência: por que a IA não faz boa ciência sem a participação humana. Dois estudos recentes mostraram que sistemas autônomos aceleram a busca por fármacos, mas o texto reforça que a presença humana continua essencial no processo científico.

A ideia central é que a IA é uma ferramenta poderosa, capaz de processar grandes volumes de dados, identificar padrões e sugerir hipóteses. Ainda assim, o valor científico depende de quem a utiliza, para quê e com qual nível de compreensão. A autonomia total não é desejável.

A ciência se move entre pergunta, resposta e nova pergunta. Delegar esse movimento apenas a máquinas não aumenta a compreensão, nem a qualidade do conhecimento. O editorial afirma que manter a supervisão humana é fundamental para o rigor e a ética da pesquisa.

Contexto institucional na USP

Na USP, o Grupo de Pesquisa em Governança de Agentes de Inteligência Artificial (GPGAIA) atua desde 2025 com foco em riscos éticos, governança e responsabilização, vinculado à Cátedra Oscar Sala no Instituto de Estudos Avançados. O CIAAM consolidou-se como polo estratégico da Reitoria para IA e ML.

A Cátedra IA Responsável, lançada em parceria com o Google em 2025, coloca a universidade em posição de protagonismo no debate nacional sobre IA. As iniciativas indicam competência e atuação coordenada entre unidades da instituição.

Desafios práticos e acesso a ferramentas

O editorial destaca que muitos pesquisadores da USP já usam ferramentas de IA de terceiros, por disponibilidade e alcance. O risco está na falta de controle institucional sobre dados inseridos e na possível exposição de informações sensíveis a sistemas de treinamento externos.

Em evento realizado em 28 de abril de 2026, o USP Talks – Research Security discutiu que a segurança na pesquisa não é obstáculo à ciência, mas condição para atuação sustentável e confiável no cenário global.

Caminho para um uso mais seguro

A resposta, segundo o texto, não é proibir a IA, e sim promover acesso qualificado a plataformas com políticas claras de uso e proteção de dados. A ideia é oferecer orientação mínima sobre boas práticas, sem burocracia excessiva, para que estudantes, técnicos, pesquisadores e docentes usem as ferramentas com competência.

O editorial encerra ressaltando que — embora a IA possa acelerar descobertas — a sabedoria, a curiosidade e a responsabilidade ética, desenvolvidas por equipes ao longo de décadas, são atividades humanas. Preservá-las é condição para que o progresso tenha valor.

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