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Disruptores endócrinos no leite materno e na urina de bebês: o que revelam

Estudo apresentado no Endo 2026 detecta disruptores endócrinos no leite materno e na urina dos bebês até seis meses, refletindo a exposição ambiental

Estudo encontrou bisfenol A, ftalatos e parabenos no leite materno e na urina de bebês de até 6 meses
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  • Estudo apresentado no Endo 2026, reunião da Endocrine Society em Chicago, acompanhou 336 duplas mãe-bebê até seis meses de vida.
  • Bisfenol A (BPA) apareceu em cerca de metade das amostras de leite e na urina dos bebês, com presença aumentando ao longo do tempo, chegando a quase 68% aos seis meses.
  • Ftalatos encontrados em plásticos e cosméticos foram detectados em mais de 90% das amostras de leite já no primeiro mês.
  • Parabenos (conservantes) e até o pesticida glufosinato também foram encontrados no leite materno ou na urina dos bebês.
  • Os resultados não devem alarmar: o leite materno continua sendo o melhor alimento; o estudo indica exposição ao ambiente e reforça a necessidade de reduzir a exposição e de políticas públicas eficazes.

O Endo 2026, reunião anual da Endocrine Society em Chicago, apresentou um estudo sobre a presença de disruptores endócrinos no leite materno e na urina de bebês até os 6 meses. A pesquisa acompanhou 336 duplas mãe-bebê, rastreando mais de 50 substâncias em coletas feitas ao mês, aos três meses e aos seis meses após o parto. A ideia é entender a exposição durante a primeira infância.

Entre os principais achados, o bisfenol A (BPA) apareceu em cerca de metade das amostras de leite e na urina dos bebês, com a incidência aumentando ao longo do tempo, de ~33% logo após o nascimento para quase 68% aos 6 meses. Ftalatos, presentes em plásticos e cosméticos, foram detectados em mais de 90% das amostras de leite coletadas no primeiro mês. Parabenos e o pesticida glufosinato também foram encontrados.

Resultados e implicações

Embora o leite materno continue sendo o alimento mais recomendado para o bebê, o estudo enfatiza que a mamadeira e o ambiente refletem a exposição diária a substâncias químicas. A janela da primeira infância é sensível, e efeitos podem surgir somente anos depois, ligando-se a aspectos do neurodesenvolvimento, hormônios, crescimento e peso.

É importante destacar que a pesquisa mede a presença dessas substâncias, não diagnostica doenças. Os dados foram apresentados em congresso e ainda passam por revisão por pares, com possíveis ajustes nas interpretações. O achado está alinhado com evidências de contaminação ambiental, sem ser uma conclusão definitiva.

O foco das causas não é atribuir culpa às mães. A orientação é reduzir a exposição global e cobrar políticas públicas que contribuam para diminuição de contaminantes em ambientes domésticos e comunitários, fortalecendo garantias de proteção infantil.

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