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Sabedoria indígena abriga um terço do carbono irrecuperável do planeta

Territórios indígenas armazenam mais de um terço do carbono irrecuperável; estudo destaca a eficácia do conhecimento tradicional, frente a perdas entre dois mil e dezessete e dois mil e vinte e quatro

Grupo indígena na Amazônia boliviana usa plantas no desenvolvimento de fibras têxteis (Andrés Roberto Unterladstaetter/Divulgação)
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  • Territórios indígenas armazenam mais de um terço do carbono irrecuperável do planeta, sustento de governança tradicional que não depende de políticas públicas.
  • O estudo global da Conservation International, com comunidades de quarenta e três territórios, aponta que sessenta por cento dos mamíferos terrestres ficam em mais de dez por cento de suas distribuições nessas terras.
  • Entre 2018 e 2024, essas áreas perderam dois bilhões de toneladas métricas de carbono irrecuperável, principalmente por mineração, expansão agrícola e incêndios.
  • Casos exemplares incluem Mamoadate, no Acre, que protege árvores frutíferas silvestres; comunidades Kichwa no Equador, que restringem caça de fêmeas de anta e onça-pintada; Zapotecas no México, com comitês de monitoramento; Batak Toba na Indonésia, que limitam desmatamento próximo a rios; Yukaghir na Rússia, que protegem áreas durante a desova do salmão.
  • O estudo destaca que a conservação liderada por povos indígenas funciona, mas o financiamento costuma não chegar diretamente às comunidades, e o reconhecimento formal de direitos territoriais permanece baixo.

O estudo global divulgado pela Conservation International revela que territórios indígenas armazenam mais de um terço do carbono irrecuperável do planeta, aquele que não poderia ser revertido a tempo para evitar o colapso climático. O resultado destaca a gestão indígena como mecanismo decisivo para o clima.

Segundo a pesquisa, 60% dos mamíferos terrestres têm parte significativa de sua distribuição nessas terras. O documento reúne relatos de comunidades de 43 territórios na África, Ásia, Américas e Pacífico, mostrando eficiência na conservação de florestas, rios e fauna, apesar da pressão externa.

Entre 2018 e 2024, territórios indígenas perderam 2 bilhões de toneladas métricas de carbono irrecuperável, em grande parte por mineração, expansão agrícola e incêndios. Cem por cento das comunidades entrevistadas apontaram impactos de indústrias extrativas.

Terras indígenas protegidas

No Brasil, o povo Mamoadate, no Acre, protege árvores frutíferas silvestres e palmeiras, mantendo espécies e recuperação ambiental sem dependência de financiamento externo.

No Equador, comunidades Kichwa limitam a caça de fêmeas de anta e onça-pintada para manter populações estáveis, prática transmitida oralmente com resultados mensuráveis. No México, Zapotecas monitoram territórios e brigadas contra incêndios.

Na Indonésia, famílias Batak Toba evitam desmatamento próximo a rios para reduzirerosão e proteger água. Na Rússia, comunidades Yukaghir proibem ruídos durante a desova de salmão, protegendo o ecossistema.

A lógica comum é o manejo coletivo, com regras transmitidas entre gerações desde a origem. Um representante Uitoto, da Colômbia, lembra que o ordenamento já existe há tempos e não deve ser reorganizado.

Apesar de grande parte das terras indígenas ter funções de conservação, apenas 19% dos territórios contam com reconhecimento legal. O financiamento internacional ainda trafega por governos e ONGs, dificultando o acesso direto às comunidades.

O estudo aponta que o conhecimento tradicional sustenta ações eficazes de conservação, que reforçam a necessidade de políticas públicas que incorporem essas práticas. O objetivo é ampliar o respaldo institucional sem perder a autonomia das comunidades.

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