- Astrônomos com o Observatório de Raios X Chandra da NASA investigaram 22 remanescentes de supernova na galáxia Messier 83 ao longo de 14 anos, observando variações rápidas no brilho em raios X.
- O esperado era queda gradual no brilho desses remanescentes, mas muitos mostraram mudanças drásticas, como se estivessem piscando.
- O caso SN 1957D explica parte dos fenômenos, já que detritos estão colidindo com o material ao redor e produzindo clarões de raios X, mas não sustenta toda a amostra.
- A explicação mais provável é que exista uma população de estrelas sobreviventes em binárias: uma estrela explode, deixando um objeto compacto que atrai material da companheira, gerando brilho intenso em raios X.
- Também pode ocorrer reciclagem de material expulso pela explosão pela própria remanescente; é possível que ambas as hipóteses ocorram em fontes diferentes da amostra.
A observação do Observatório de Raios X Chandra, da NASA, dirigida à galáxia próxima Messier 83, revelou um efeito inusitado após explosões de supernova. Em vez de sumirem, os remanescentes mostram variabilidade drástica e rápida no brilho. A descoberta foi apresentada na reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Pasadena, e publicada no The Astrophysical Journal.
A equipe analisou 14 anos de dados do Chandra sobre M83 e detectou mudanças no brilho de fontes já identificadas como remanescentes de supernova. A expectativa era de queda gradual do brilho, típica de objetos velhos, mas o que se viu foi uma população de 22 fontes com variações intensas.
Quase metade dessas 22 fontes mostrou flutuações de brilho ao longo do período estudado. Entre os casos, a SN 1957D tem explicação simples: seus detritos interagem com o material ao redor, gerando clarões de raios X. Esse cenário não explica todas as demais fontes observadas.
A hipótese mais provável aponta para a existência de estrelas sobreviventes após a explosão. Em binárias, a estrela companheira persiste e é alvo de atração de material pelo objeto remanescente, que pode ser um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. O aquecimento do material emite raios X e provoca as mudanças observadas.
Outra possibilidade é a recaptura de material ejetado pela própria explosão, num processo de reciclagem cósmica. Especialistas destacam que ambas as situações podem ocorrer isoladamente ou concomitantemente entre diferentes remanescentes da amostra.
A conclusão depende de dados adicionais, pois a distância de M83 limita a observação de detalhes. A pesquisa reforça a necessidade de acompanhar com mais tempo a evolução dessas fontes para entender as causas da variabilidade. A descoberta só foi viável pela série de observações de 2000 a 2014.
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