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Telescópio da Nasa detecta fogos de artifício em remanescentes de supernovas

Observatório Chandra detecta variações de brilho em 22 remanescentes de supernova em M83, sugerindo estrelas companheiras sobreviventes ou reciclagem de detritos

A galáxia M38 está localizada a cerca de 15 milhões de anos-luz da Terra - (crédito: Reprodução/NASA)
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  • Astrônomos com o Observatório de Raios X Chandra da NASA investigaram 22 remanescentes de supernova na galáxia Messier 83 ao longo de 14 anos, observando variações rápidas no brilho em raios X.
  • O esperado era queda gradual no brilho desses remanescentes, mas muitos mostraram mudanças drásticas, como se estivessem piscando.
  • O caso SN 1957D explica parte dos fenômenos, já que detritos estão colidindo com o material ao redor e produzindo clarões de raios X, mas não sustenta toda a amostra.
  • A explicação mais provável é que exista uma população de estrelas sobreviventes em binárias: uma estrela explode, deixando um objeto compacto que atrai material da companheira, gerando brilho intenso em raios X.
  • Também pode ocorrer reciclagem de material expulso pela explosão pela própria remanescente; é possível que ambas as hipóteses ocorram em fontes diferentes da amostra.

A observação do Observatório de Raios X Chandra, da NASA, dirigida à galáxia próxima Messier 83, revelou um efeito inusitado após explosões de supernova. Em vez de sumirem, os remanescentes mostram variabilidade drástica e rápida no brilho. A descoberta foi apresentada na reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Pasadena, e publicada no The Astrophysical Journal.

A equipe analisou 14 anos de dados do Chandra sobre M83 e detectou mudanças no brilho de fontes já identificadas como remanescentes de supernova. A expectativa era de queda gradual do brilho, típica de objetos velhos, mas o que se viu foi uma população de 22 fontes com variações intensas.

Quase metade dessas 22 fontes mostrou flutuações de brilho ao longo do período estudado. Entre os casos, a SN 1957D tem explicação simples: seus detritos interagem com o material ao redor, gerando clarões de raios X. Esse cenário não explica todas as demais fontes observadas.

A hipótese mais provável aponta para a existência de estrelas sobreviventes após a explosão. Em binárias, a estrela companheira persiste e é alvo de atração de material pelo objeto remanescente, que pode ser um buraco negro ou uma estrela de nêutrons. O aquecimento do material emite raios X e provoca as mudanças observadas.

Outra possibilidade é a recaptura de material ejetado pela própria explosão, num processo de reciclagem cósmica. Especialistas destacam que ambas as situações podem ocorrer isoladamente ou concomitantemente entre diferentes remanescentes da amostra.

A conclusão depende de dados adicionais, pois a distância de M83 limita a observação de detalhes. A pesquisa reforça a necessidade de acompanhar com mais tempo a evolução dessas fontes para entender as causas da variabilidade. A descoberta só foi viável pela série de observações de 2000 a 2014.

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